Séc. XV:

  • 1438: A descoberta oficial das Ilhas Selvagens é atribuída ao descobridor português Diogo Gomes, no ano de 1438. Contudo, existem registos que estas Ilhas já eram anteriormente conhecidas do Mundo.
  • Logo após a descoberta, as Ilhas Selvagens foram exploradas para a recolha de plantas naturais para utilização na indústria da tinturaria e dos curtumes, como sejam a urzela, pastel e sumagre.
  • Outras plantas eram igualmente exploradas nestas Ilhas, mais conhecidas por Barrilha, colhidas para serem utilizadas no fabrico de sabão.
  • Todas estas atividades constituíam uma excelente fonte de rendimento.


Séc. XVI:

  • Desde o séc. XVI, como território de privados, as Ilhas Selvagens foram mudando de posse por herança até que, em 1971, passam a estar sob a administração territorial da Região Autónoma da Madeira.
  • Há registos de uma fonte de água, atualmente designada por Furna da Água. Esta nascente não é mais do que uma pequena gruta, onde saem do teto aproximadamente dois pingos de água doce de sete em sete segundos. Segundo Frutuoso (1968), “…uma fonte, que enche somente, cada dia, três ou quatro jarras de três canadas de água doce nas botijas, chamadas meias arrobas…” (Arqueologia, 2010). Vários fragmentos de cerâmica foram encontrados nas proximidades desta fonte, o que leva a crer que estes fragmentos faziam parte de recipientes utilizados no armazenamento e transporte de líquidos. (Arqueologia, 2010).


Séc. XVII:

  • Tinham senhorio particular e estavam na posse da família madeirense Teixeira Caiados, de Santa Cruz, não se sabendo como foram ter a esta família, se tomadas por sesmaria a um dos donatários da Madeira ou se por doação da Ordem de Cristo.


Séc. XVIII:

  • O comércio da planta urzela tornou-se muito próspero no século XVIII e os proprietários das Ilhas celebraram contratos temporários para esse fim. A urzela era muito usada na tinturaria, imprimindo uma cor púrpura nos tecidos e papel, e era exportada por caravelas para a Inglaterra e Flandres.
  • O descendente da família madeirense Teixeira Caiados, de Santa Cruz, o Cónego da Sé, Manuel Henrique Teixeira, possuiu-as até 1717, doando-as à sua sobrinha D. Filipa Cabral de Vasconcelos.
  • A partir de 1717 passam a constar em testamentos, heranças, inventários, partilhas e embargos.
  • Em 1768 o Capitão Brás Constantino Cabral de Noronha detinha a posse das Ilhas, tendo essa posse sido transmitida aos seus descendentes até ao início do Século XX.


Séc. XIX:

  • 1881: Reza a história que a iniciativa de construção de um farol nas ilhas Selvagens partiu de Espanha, propondo que Portugal repartisse as despesas e ressalvando que não está determinada se a soberania da ilha pertence a Espanha ou Portugal. Por falta de entendimento, a construção do Farol ficou suspensa.
  • No final do século XIX as cabras acabaram por se extinguir devido à caça.


Séc. XX:

  • 1904: o banqueiro Luís da Rocha Machado adquiriu as Ilhas Selvagens passando, por sua morte, para a posse do seu filho do mesmo nome que as possuiu até 1971.
  • Início do século XX: existem registos da existência de um forno de soda na Selvagem Grande.
  • 1938: a Comissão Permanente de Direito Marítimo Internacional certificou a soberania das ilhas e foi colocado no planalto da Selvagem Grande, um marco Astronómico pela Missão Hidrográfica das Ilhas Adjacentes, neste mesmo ano.
  • 1963: 1ª expedição científica às Ilhas Selvagens, organizada pelo Museu de História Natural do Funchal, à qual Paul Zino juntou-se, tendo quatro anos depois comprado os direitos de caça às cagarras para pôr fim ao abate anual de aves.
  • 1967: captura de cagarras. De setembro a outubro de cada ano, ou no fim da época de reprodução, eram organizadas expedições a estas ilhas com o intuito de capturar o máximo possível de juvenis. A última expedição às Ilhas Selvagens para a matança dos juvenis de cagarra partiu do Funchal, a 15 de setembro de 1967. Existem registos de que também o estrume resultante da acumulação de excrementos de cagarra fora também comercializado, de forma a ser usado na fertilização das terras agrícolas na Ilha da Madeira.
  • Anos 70: aconteceram vários naufrágios de navios junto às Ilhas Selvagens, como seja o petroleiro Cerno que, ao desviar-se para ilegalmente lavar os seus tanques, encalhou na Selvagem Pequena. Três meses depois outro petroleiro, Morning Breeze, afunda-se próximo da Selvagem Grande.
    A responsabilidade de Portugal pela segurança marítima nas Ilhas Selvagens foi posta em causa, dado que estes naufrágios aconteceram por falta de farolagem nestas ilhas.
  • 1971: desde este ano que as Ilhas Selvagens estão sob a administração territorial da Região Autónoma da Madeira, ano em que foram legalmente protegidas, tendo sido classificadas como Reserva, a primeira de Portugal!
  • 1976: no período de mudança de regime político em Portugal (1974/75), as Selvagens foram também “alvo desta época revolucionária” da história do País, não sendo imunes aos "excessos" próprios deste período. Assim, em 1976, populares "conhecedores das ilhas" em embarcações de pesca desembarcaram na Selvagem Grande e destruíram as casas existentes. Estes, alegando chavões políticos relacionados com o direito à propriedade, exigiam a liberdade da apanha das cagarras, não licenciada nem autorizada por força da lei da Reserva Natural, causando uma chacina que quase dizimou a colónia de cagarras, só sobrando 4 aves. Tem sido uma recuperação lenta da colónia nos últimos 40 anos.
    Desde este ano, a Selvagem Grande tem vigilância permanente, tendo sido construída uma casa de abrigo para os guardas da Ilha na altura.
  • 1977: a Direção de Faróis da Marinha Portuguesa instalou um farol na Selvagem Grande - no Pico da Atalaia, e um farol na Selvagem Pequena - no Pico do Veado.
  • 1978: 1ª Edição da Regata Internacional Canárias-Madeira, numa coorganização com o Real Clube Náutico de Gran Canária e o Clube Naval do Funchal e, atualmente, constitui um dos mais antigos eventos náuticos desportivos realizado entre os dois arquipélagos do atlântico. Em 2016, realizou-se a 19ª Edição desta Regata, tendo já envolvido cerca de 6500 velejadores e 540 embarcações de cruzeiro. Desde 1978, que estes velejadores marcam presença nas Ilhas Selvagens, presença esta importante na divulgação de todo o esforço de conservação subjacente ao sucesso desta Reserva.
  • 1981: em Portugal, as Ilhas Selvagens foram as primeiras a utilizarem células fotovoltaicas nos seus faróis, recorrendo desta forma a energias limpas.
    Jaques da Mata, atualmente vigilante da natureza, integrou a equipa de montagem do Farol. Gostou tanto da Selvagem Grande que informou o Sr. Fernando Almada, o primeiro Guarda da Ilha que, se por acaso algum dia precisassem de alguém para trabalhar na Selvagem Grande, o contactassem. No ano seguinte, Jaques é contactado e desde então que contribui para a preservação do importante património natural existente nas Ilhas Selvagens, sendo já uma figura emblemática destas Ilhas.
  • 1982: o Parque Natural da Madeira foi criado, dando início à gestão da Reserva Natural das Ilhas Selvagens apenas em 1991, ano em que os guardas das ilhas passam a incorporar o Corpo de Vigilantes da Natureza, os quais desempenham um papel fundamental nas demais ações de conservação como sejam, a fiscalização e vigilância da Reserva, a manutenção do estado de conservação da bio(geo)diversidade, a divulgação dos programas de investigação desenvolvidos nesta área protegida bem como a receção e transmissão de valores aos visitantes.
  • 1989: as Ilhas Selvagens são designadas como Área Importante para as Aves e Biodiversidade (IBA) no âmbito da BirdLife Internacional, o que significa que constituem um sítio de importância internacional para a conservação das aves à escala global. Em 1989, foi designada a IBA terrestre e em 2008 a IBA Marinha.
  • 1991: 1ª visita oficial às Ilhas Selvagens do mais alto representante da nação portuguesa, o Sr. Presidente da República, Dr. Mário Soares. Até hoje, as Ilhas Selvagens foram visitadas por mais três chefes de Estado: Dr. Jorge Sampaio em 2003, Dr. Aníbal Cavaco Silva em 2013 e Dr. Marcelo Rebelo de Sousa em 2016.
  • 1992: as Ilhas Selvagens são distinguidas com o Diploma Europeu do Conselho da Europa para Áreas Protegidas, que não é mais do que o certificado de qualidade mais alto que pode ser atribuído a uma área protegida pelo Conselho da Europa. Desde então, tem vindo a ser renovado, como reconhecimento do grande interesse do seu Património Natural, bem como do trabalho desenvolvido em prol da Conservação. Em Portugal existem 2 áreas com esta distinção, ambas na Região Autónoma da Madeira.


Séc. XXI:

  • 2001: as Ilhas Selvagens integram a Rede Natura 2000, como Sítio de Importância Comunitária (SIC). Em 2009, face à aprovação do plano de ordenamento e gestão das Ilhas Selvagens, procede-se à sua classificação de SIC para Zona Especial de Conservação (ZEC). Em 2014, são designadas de Zona de Proteção Especial (ZPE).
  • 2003: inauguração do Posto de Correios Ilhas Selvagens, código postal 9000-900, pelo Sr. Presidente da República Portuguesa Dr. Jorge Sampaio, sendo o serviço dos CTT mais a sul de Portugal.
  • 2003: inscrição do bem “Ilhas Selvagens” na Lista Indicativa Nacional de bens candidatos a Património Mundial da UNESCO, lista esta atualizada em 2016 pela Comissão Nacional da UNESCO e da qual o bem “Ilhas Selvagens” continua a fazer parte dado o seu valor universal excecional. Recorde-se que as Listas Indicativas constituem um pré-requisito indispensável para a candidatura de Bens a Património Mundial.
  • 2010: Campanha EMEPC/M@rBis/Selvagens2010. Com vista à implementação do M@rBis (Sistema de Informação para a Biodiversidade Marinha), a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) empreendeu uma expedição científica às Ilhas Selvagens, contribuindo com informação fundamental para o Projeto de Extensão da Plataforma Continental de Portugal. Esta missão científica mobilizou 3 navios, 70 cientistas, 100 mergulhos, 50 horas de operação com o ROV “Luso”, 35 Universidades, Laboratórios Associados e Instituições Nacionais e Internacionais.
  • 2015: Expedição National Geographic Pristine Seas. As Ilhas Selvagens foram eleitas a integrar o programa Pristine Seas promovido pela National Geographic Society cujo objetivo é o de ajudar a preservar os últimos refúgios selvagens que existem nos nossos oceanos, através da associação entre a investigação e a divulgação. Desta expedição resultou um Relatório Científico e um Filme intitulado “National Geographic – Selvagens” que entregaram ao Governo Regional da Madeira, no dia 10 de maio.
  • 2016: no âmbito da edificação da Estrutura da Autoridade Marítima nas Ilhas Selvagens, foram efetuadas diversas beneficiações na Estação de Apoio da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, assim como a ampliação das instalações existentes, a fim de criar as condições necessárias para a ativação e funcionamento do Posto do Comando Local da Polícia Marítima do Funchal nas Ilhas Selvagens (PCLPMFS) e da Extensão da Repartição Marítima do Funchal nas Selvagens (ERMFS).
    No âmbito do Sistema “Costa Segura”, encontra-se em funcionamento uma Estação Radar na Selvagem Grande, operada por militarizados na Polícia Marítima que guarnecem o PCLPMFS, capacidade esta complementada com ações no mar, tendo em vista garantir o exercício da autoridade do Estado, nomeadamente em matéria de vigilância, fiscalização, patrulhamento e exercício de polícia.