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Pombo-trocaz Tentilhão Lesma

A Laurissilva da Madeira é uma formação florestal que apresenta uma grande diversidade biológica, com uma elevada percentagem de espécies exclusivas da Macaronésia e da Madeira.

A avifauna da Laurissilva, tal como as comunidades de aves de ilhas, apresenta um reduzido número de espécies e uma elevada taxa de endemismos. Nas zonas mais interiores da floresta e em melhor estado de conservação são observadas, regularmente, cerca de sete espécies de aves. O destaque obrigatório é o emblemático pombo-trocaz Columba trocaz (Projeto pombo-trocaz) que a par do bis-bis Regulus madeirensis, são as únicas espécies endémicas neste ecossistema. O primeiro é considerado um dos exemplares mais antigos da avifauna Macaronésica. Tem uma dieta seletiva e parcialmente dependente dos frutos de diversas espécies de árvores, com particular relevo para o til, sendo considerado o semeador das árvores da Laurissilva. O bis-bis é uma ave de pequeno porte, a mais pequena da avifauna madeirense, alimenta-se de insetos, o que seguramente lhe confere uma importância elevada ao nível do equilíbrio dos ecossistemas. O tentilhão Fringilla coelebs madeirensis, subespécie endémica da ilha da Madeira apresenta um elevado nível de adaptação ao habitat insular. Este facto, aliado às diferenças morfológicas evidenciadas em relação às populações que ocorrem no Continente Europeu, pressupõe que a data da sua chegada à ilha remonta a tempos bastante longínquos.

Outras aves que ocorrem com alguma frequência são o melro-preto Turdus merula cabrerae, o papinho Erithacus rubecula rubecula, a lavandeira Motacilla cinerea schmitzi, e as duas rapinas, a manta Buteo buteo harterti e o francelho Falco tinnunculus canariensis. Nas zonas mais altas da Laurissilva, onde as árvores de grande porte começam a dar lugar aos urzais, ocorre ainda a galinhola Scolopax rusticola, muito discreta e normalmente passa despercebida aos visitantes.

Nos limites inferiores da Laurissilva, na interface com as zonas agrícolas ou com a floresta exótica, surgem várias outras espécies de aves, sendo comum encontrar, além de muitas das que atrás foram referidas, a toutinegra Sylvia atricapila heinecken, o canário Serinus canaria canaria e o pintassilgo Carduelis carduelis parva. O discreto fura-bardos Accipiter nisus granti (Projeto Fura-bardos) é a terceira rapina diurna do arquipélago e é nestas zonas que mais facilmente pode ser encontrado. Depois do pôr-do-sol surge a coruja-das-torres Tyto alba schmitzi, outra subespécie endémica do arquipélago.

Para mais informação sobre as aves nidificantes consulte o atlas das aves nidificantes.

Alguns dos vertebrados endémicos presentes na Laurissilva são vulgares, outros raros e enigmáticos. Nos locais mais soalheiros e durante o dia, a comum lagartixa Teira dugesii dugesii surge de forma ativa e ágil, à procura do calor do sol. É o único réptil nativo da ilha da Madeira que, embora predomine nas zonas costeiras, também habita a floresta.

À noite, os morcegos com os seus gestos peculiares e sons estranhos desenvolvem a sua atividade, estando descritas cinco espécies, das quais apenas três confirmadas, uma endémica o Pipistrelo-da-madeira Pipistrellus maderensis, uma subespécie endémica o morcego-arborícola-da-madeira Nyctalus leisleri verrucosus e o morcego-orelhudo-cinzento Plecotus austriacus que, embora não sendo um endemismo, é igualmente fascinante.

Os invertebrados são muito mais discretos mas igualmente mais numerosos e com taxas de endemismo mais elevadas. Na Laurissilva existem mais de 500 espécies endémicas de invertebrados, distribuídas pelos moluscos, aracnídeos e insetos. Estes últimos, tanto pela sua abundância como diversidade, são o grupo mais representativo (cerca de 20% das quase 3000 espécies de insetos são endémicas).

O isolamento geográfico, assim como a ocorrência de uma grande diferença altitudinal e diversidade de habitats nos Arquipélagos Macaronésicos, possibilitam que nas suas ilhas se desenvolvam insetos com formas muito particulares, como a redução ou atrofiamento das asas e a alteração do tamanho corporal, bem visível nalguns coleópteros, dando origem a numerosos endemismos. Tal facto é bem evidente nos artrópodes terrestres da Ilha da Madeira, onde cerca de 20% das quase 3000 espécies de insetos são endémicas.

Os insetos, tanto pela sua abundância como diversidade, são o grupo mais representativo. Para além da sua riqueza biológica, têm um papel fundamental ao nível das cadeias tróficas.

Os coleópteros apresentam uma grande diversidade, com cerca de 800 espécies, sendo os carabídeos os mais representativos na Laurissilva seguido dos estafilinídeos com, aproximadamente, 210 espécies das quais cerca de 50 são endémicas. Estes constituem fiáveis bioindicadores do estado de conservação da floresta e diversas formas ilustram bem a diversidade de processos evolutivos que ocorreram nas ilhas. Por exemplo o género Trechus sofreu irradiação adaptativa, apresentando grande número de espécies endémicas na Ilha da Madeira, algumas associadas à Laurissilva.

Nos cursos de água da floresta podemos encontrar uma elevada biodiversidade de invertebrados específicos. Os macroinvertebrados aquáticos são compostos maioritariamente por insetos, sendo os dípteros, o grupo mais representativo, correspondendo a 56% desta fauna.

Na floresta Laurissilva existem aproximadamente 46 espécies de moluscos terrestres, dos quais 29 são endemismos Madeirenses. Nos locais mais húmidos, sobre as pedras dos ribeiros e dos regatos é comum a presença da peculiar lesma endémica Phaenacolimax madeirovitrina ruivensis.

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