Perguntas Frequentes - Florestas

FAQs - Florestas

O Nemátodo da Madeira do Pinheiro (NMP), cujo nome científico é Bursaphelenchus xylophilus, é um verme microscópico que mede menos de 1,5mm de comprimento (fig. 2), sendo considerado um dos organismos patogénicos mais perigosos para as coníferas a nível mundial, pois é o agente causal da doença da murchidão dos pinheiros, originando a morte das árvores afetadas.

«Coníferas» são as espécies florestais gimnospérmicas vulgarmente designadas por resinosas

«Coníferas hospedeiras» são as coníferas dos géneros Abies Mill. (abetos), Cedrus Trew (cedros), Larix Mill. (larix), Picea A. Dietr. (piceas ou espruces), Pinus L. (pinheiros), Pseudotsuga Carr. (falsas -tsugas), e Tsuga Carr. (tsugas), hospedeiras do NMP, com exceção dos seus frutos e sementes

O NMP é nativo da América do Norte, ocorrendo nos Estados Unidos e Canadá. A atividade humana provocou a sua introdução acidental em vários países do Extremo Oriente, primeiro no Japão e, mais tarde, na China, Taiwan e Coreia do Sul. O NMP foi detetado em Portugal Continental no ano de 1999. As afinidades genéticas entre as populações portuguesas e orientais fazem supor que a introdução na Europa tenha ocorrido através de madeira infetada proveniente do extremo oriente. Os nemátodos isolados, encontrados em Portugal continental e na ilha da Madeira, são idênticos. É de excluir a introdução de linhagens provenientes dos EUA.

O NMP ataca as coníferas, principalmente do género Pinus (pinheiros). As espécies que ocorrem na América do Norte aparentam ser resistentes, sendo o P. banksiana, P. echinata e o P. elliottii as mais suscetíveis. Na Ásia, o NMP provoca mortalidades significativas, afetando principalmente o P. densiflora e o P. thunbergii. No Japão, por exemplo, o NMP é responsável pela perda de mais de um milhão de metros cúbicos de material lenhoso por ano. Para além dos pinheiros, espécies de abetos, cedros e larícios são também suscetíveis à ação do NMP. Em Portugal, o NMP foi encontrado unicamente em pinheiro bravo (P. pinaster).

Não, pois existem muitos outros fatores de declínio e mortalidade, tais como ataques de insetos escolitídeos, fungos patogénicos, seca, etc., que provocam sintomas idênticos conduzindo à morte das árvores. Assim, a presença do NMP só pode ser detetada em laboratório após colheita de material lenhoso.

Uma vez no interior das árvores, os nemátodos reproduzem-se rapidamente alimentando-se das células epiteliais e do parênquima dos canais de resina, provocando o decréscimo e a paragem da produção de resina. Posteriormente, o NMP invade gradualmente os canais resiníferos axiais e radiais do xilema, o câmbio e os restantes tecidos corticais, provocando a destruição das paredes celulares e, simultaneamente, a cavitação ou embolismo das células do xilema. Acima de 20ºC a transpiração foliar cessa ao fim de 20/30 dias, originando a descoloração e murchidão das folhas e por fim a morte da árvore por falta de água, que ocorre em apenas dois a três meses.

Para se dispersar de uma árvore para outra, o NMP necessita ser transportado por um inseto, sendo os cerambicídeos do género Monochamus os vetores mais importantes a nível mundial. Existem três etapas fundamentais neste processo: a entrada do NMP no corpo do inseto, o transporte pelo inseto e a transmissão para uma nova árvore.

No final da primavera os nemátodos agregam-se na madeira em redor dos insetos adultos recém-formados, entrando no corpo dos adultos imediatamente antes da emergência dos mesmos.

Após a emergência dos insetos, os nemátodos presentes no sistema respiratório são transportados enquanto o inseto se dispersa através do voo em busca de um novo hospedeiro.