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A Floresta Laurissilva é o nome por que é conhecida a floresta indígena da Madeira, constituída predominantemente por árvores e arbustos de folhagem persistente, com folhas verde-escuras e planas. Já existia aquando da chegada dos navegadores portugueses e é considerada uma relíquia do Terciário. Ocupa uma área, de cerca de 15000 hectares, o equivalente a 20% do território da ilha e localiza-se, essencialmente, na costa Norte, dos 300 aos 1300 metros de altitude, e na costa Sul persiste nalguns locais de difícil acesso, dos 700 aos 1200 metros.


A Laurissilva da Madeira está totalmente incluída na área do Parque Natural da Madeira e encontra-se protegida por legislação regional, nacional e internacional. É um habitat prioritário, designado de Laurissilvas Macaronésias, ao abrigo da Diretiva Habitats da União Europeia e as espécies mais características encontram-se também diretamente protegidas por diretivas comunitárias. É igualmente uma Zona de Proteção Especial e, por tal, foi consagrada como um Sítio da Rede Natura 2000 com o nome Laurissilva da Madeira.
Desde 1992, pertence à Rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa, por apresentar inegáveis valores naturais e carácter de unicidade, o que corresponde a um reconhecimento de enorme importância pela comunidade internacional.

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Integrada na lista dos Patrimónios Mundiais Naturais pela Unesco, a riqueza, a importância e a especificidade desta floresta, contendo espécies vegetais e animais únicos à escala planetária e habitats naturais representativos e importantes para a conservação da diversidade biológica, atestam a justiça deste reconhecimento.
Na área de Floresta Laurissilva existe uma rede de percursos pedonais e veredas, alguns deles integrando a lista de percursos pedonais recomendados da Região. São aos milhares, as pessoas que anualmente percorrem estes “caminhos”, inebriados pela sensação do prazer da descoberta de uma floresta tão bela como antiga.


É uma formação florestal que apresenta uma grande diversidade biológica, com uma elevada percentagem de espécies exclusivas da Macaronésia e da Madeira. Neste complexo e diversificado ecossistema, a vastidão da vegetação é o elemento que mais sobressai. As árvores, muitas delas centenárias, são incontestavelmente os grandiosos monumentos naturais. As plantas de menores dimensões e os fetos ganham destaque nesta imensa floresta. Os líquenes proliferam por toda a parte, nos taludes, nos troncos e nas rochas, indicando a excelente qualidade ambiental do ar e da água. Na fauna assume particular relevo os insectos, os moluscos terrestres e as aves que contam, igualmente, com vários tipos de endemismos madeirenses e macaronésicos.

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Predominam as árvores endémicas que pertencem às Lauráceas, tais como, o Barbusano, o Loureiro, o Til e o Vinhático. A estas árvores estão associadas muitas outras, também endémicas e interessantes, mas de distintas famílias, nomeadamente, o Folhado, o Pau-branco e o Mocano. Nas margens dos ribeiros e dos regatos são mais comuns os Seixeiros e os Sabugueiros. Dos arbustos endémicos destacam-se, o Massaroco, a Figueira-do-inferno, o Isoplexis e a Múchia. Nas clareiras e nos taludes dos cursos de água evidenciam-se outros endemismos, com destaque para as elegantes gramíneas, nomeadamente, a Barba-de-bode e a Palha-carga e as herbáceas de flores vistosas, tais como, as Pássaras, as Orquídeas-da-serra e as Douradinhas. Mais discretas e simultaneamente mais raras são as Orquídeas-brancas. Os fetos existem em todos os recantos, com maior exuberância nos vales profundos e sombrios. Mais comum e bem evidente pelo tamanho e extensão das suas frondes é o Feto-do-botão ou do pontinho. Os briófitos, quase sempre redutoramente abordados como musgos, cobrem grandes superfícies do solo, dos taludes, das rochas e dos troncos, apresentando uma enorme diversidade apenas reconhecida quando devidamente observados. Nesta floresta encontram-se mais de 80% dos endemismos da Região, alguns raríssimos.


Estas plantas desempenham importantes funções no ecossistema, nomeadamente no equilíbrio hídrico através da elevada eficiência na retenção da água dos nevoeiros e da chuva, no ciclo dos minerais e na produção de biomassa. Os líquenes são, igualmente, abundantes e algumas espécies indicam a elevada qualidade ambiental e a inexistência de poluição. Para além de bioindicadores são excelentes testemunhos do bom estado de conservação do meio ambiente, embelezando a floresta com as suas formas esculturais e por vezes enigmáticas.


A avifauna da Laurissilva, tal como as comunidades de aves de ilhas, apresenta um reduzido número de espécies e uma elevada taxa de endemismos. Nas zonas mais interiores da floresta e em melhor estado de conservação são observadas, regularmente, cerca de sete espécies de aves. O destaque obrigatório é o emblemático Pombo-trocaz que a par do Bis-bis, são as únicas espécies endémicas neste ecossistema. O primeiro é considerado um dos exemplares mais antigos da avifauna Macaronésica. Tem uma dieta selectiva e parcialmente dependente dos frutos de diversas espécies de árvores, com particular relevo para o Til, sendo considerado o semeador das árvores da Laurissilva. O Bis-bis é uma ave de pequeno porte, a mais pequena da avifauna madeirense, alimenta-se de insectos, o que seguramente lhe confere uma importância elevada ao nível do equilíbrio dos ecossistemas. O Tentilhão, subespécie endémica da ilha da Madeira apresenta um elevado nível de adaptação ao habitat insular. Este facto, aliado às diferenças morfológicas evidenciadas em relação às populações que ocorrem no Continente Europeu, pressupõe que a data da sua chegada à ilha remonta a tempos bastante longínquos.


Outras aves que ocorrem com alguma frequência são o Melro-preto, o Papinho, a Lavandeira e as duas rapinas, a Manta e o Francelho. Nas zonas mais altas da Laurissilva, onde as árvores de grande porte começam a dar lugar aos urzais, ocorre ainda a Galinhola, muito discreta e normalmente passa despercebida aos visitantes.
Nos limites inferiores da Laurissilva, na interface com as zonas agrícolas ou com a floresta exótica, surgem várias outras espécies de aves, sendo comum encontrar, além de muitas das que atrás foram referidas, a Toutinegra, o Canário e o Pintassilgo. O discreto Fura-bardos é a terceira rapina diurna do arquipélago e é nestas zonas que mais facilmente pode ser encontrado. Depois do Pôr-do-sol surge a Coruja-das-torres, outra subespécie endémica do arquipélago.


Alguns dos vertebrados endémicos presentes na Laurissilva são vulgares, outros raros e enigmáticos. Nos locais mais soalheiros e durante o dia, a comum Lagartixa surge de forma activa e ágil, à procura do calor do sol. É o único réptil nativo da ilha da Madeira que, embora predomine nas zonas costeiras, também habita a floresta.
À noite, os Morcegos com os seus gestos peculiares e sons estranhos desenvolvem a sua actividade, estando descritas cinco espécies, das quais apenas três confirmadas, uma endémica o Pipistrelo-da-Madeira, uma subespécie endémica o Morcego-arborícola-da-Madeira e o Morcego-orelhudo-cinzento.


Os invertebrados são muito mais discretos mas igualmente mais numerosos e com taxas de endemismo mais elevadas. Na Laurissilva existem mais de 500 espécies endémicas de invertebrados, distribuídas pelos moluscos, aracnídeos e insectos. Estes últimos, tanto pela sua abundância como diversidade, são o grupo mais representativo (cerca de 20% das quase 3000 espécies de insectos são endémicas).

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Um olhar atento debaixo das pedras, das cascas das árvores e dos musgos, por entre as rochas, na terra sob as folhagens permite observar a labuta da fauna malacológica, conhecida vulgarmente por caracóis. Na floresta Laurissilva existem aproximadamente 46 espécies de caracóis, dos quais 29 são endemismos madeirenses. Nos locais mais húmidos, sobre as pedras dos ribeiros e dos regatos é comum a presença da peculiar lesma endémica.