garajau 20120131 1350907519

Lesma-do-mar


HABITATS

A Reserva Natural Parcial do Garajau combina uma variedade de factores que a faz apresentar habitats que são representativos e importantes para a conservação in situ da biodiversidade.


FAUNA E FLORA MARINHAS

Nas zonas rochosas a seguir ao domínio terrestre, no nível supralitoral encontram-se povoamentos de litorinas Littorina striata e do líquen Verrucaria maura que se assemelha a manchas de alcatrão. De forma isolada começam a aparecer caramujos Gibbula sp. O limite inferior do andar supralitoral é marcado pelo aparecimento de colónias de cracas Chthamalus stellatus. Também caraterístico deste nível, mas pouco frequente, é o líquen Lichina pygmaea. Grupos de lapas começam a surgir, primeiro as lapas Patella piperata, e depois Patella aspera e Patella candei que se estendem até ao infralitoral. Neste aparece o caranguejo-cabra Grapsus adscensionis.

No nível médio do médiolitoral existe uma diversidade mais elevada de espécies de fauna e flora. Em alguns locais encontram-se faixas ao longo da costa da alga verde Enteromorpha sp. Neste nível encontram-se vários enclaves onde se encontram formações de algas calcárias Lithophyllum sp. ou Lithothamnion sp. a revestir as paredes das poças. Em algumas poças também se encontram densos tufos formados por algumas colónias de algas. Aqui também se encontram algumas espécies típicas do andar infralitoral como é o caso das anémonas, das esponjas e dos equinodermes Paracentrotus lividus e Arbacia lixula. A fauna é caracterizada pelos peixes cabozes Mauligobius maderensis e Parablennius parvicornis e pelo camarão-das-poças Palaemon elegans.

As reentrâncias rochosas, que se mantêm mais húmidas e escuras, são o habitat preferencial de algumas espécies de crustáceos Pachygrapsus spp. e Eriphia verrucosa, gastrópodes Monodonta spp. e Gibbula spp..

No infralitoral o número de organismos aumenta, passando a existir um maior coberto vegetal onde predominam as algas Padina pavonica, Asparagopsis armata e as algas dos géneros Jania sp., Corallina sp., Ulva sp., e consequentemente uma fauna mais diversificada que inclui crustáceos anfípodes, isópodes e decápodes, sipunculídeos, anelídeos poliquetas e moluscos gastrópodes que vivem entre as algas e na massa sedimentar retida por estas.

Nas superfícies menos povoadas por algas existe uma fauna séssil muito variada que inclui esponjas Aplysina aerophoba, Chondrosia reniformis e Batzela inops, anémonas Anemonia sulcata e Aiptasia mutabilis, estrela-do-mar Marthasterias glacialis entre outras e muitas espécies de peixes. Dentro dos moluscos há a assinalar as espécies Lima lima, Hexaplex trunculus e Spondylus senegalensis. O poliqueta Hermodice carunculata é também muito abundante.

Nos fundos rochosos, são frequentes as holotúrias e os ouriços-do-mar, sendo a espécie dominante o ouriço-de-espinhos-longos Diadema antillarum.

No que se refere à ictiofauna, abundam o bodião Sparisoma cretense, a salema Sarpa salpa, o sargo Diplodus sp, a tainha Liza aurata, as castanhetas Chromis limbata e Abudefduf luridus, a dobrada Oblada melanura, a boga Boops boops e o peixe-verde Thalassoma pavo entre muitas outras espécies de peixes.

Na Reserva ocorrem também diversas espécies de tartarugas e várias espécies de mamíferos marinhos como o roaz-corvineiro Tursiops truncatus, o golfinho-riscado Stenella coeruleoalba, o golfinho-comum Delphinus delphis. O lobo-marinho Monachus monachus, espécie emblemática das Ilhas Desertas, é cada vez mais um visitante assíduo desta reserva, tendo sido observado por diversas vezes nos últimos anos.

GEOLOGIA

A área da reserva, virada a sul e limitada a oeste pela Ponta do Lazareto e a leste pela Ponta da Oliveira, é caracterizada por uma costa rochosa alta e regular. Ao nível do mar a costa é constituída por pequenas praias de calhau rolado intercaladas com zonas rochosas. Nesta área não desaguam ribeiras ou outros cursos de água relevantes. Ocasionalmente podem observar-se algumas quedas de água que correm diretamente para o mar.

O sistema litoral da reserva é constituído por uma costa rochosa bastante exposta ao hidrodinamismo marinho. Ao longo da costa com cerca de 7 quilómetros existem 7 grutas abertas, não submersas, e 19 pequenas praias de calhau rolado, das quais 2 são de grande dimensão e utilizadas por banhistas. Ao longo da costa o substrato rochoso é predominante. Grande parte deste substrato tem um declive acentuado, mas também se encontram várias plataformas rochosas, tendo algumas vários enclaves que se transformam em poças de maré durante a baixa-mar quando as plataformas ficam emersas. No mar adjacente encontram-se alguns prolongamentos rochosos, pequenos ilhéus e rochas emersas e submersas quase ligadas à costa. Os fundos são de rocha e de areia.

Os fundos são de rocha de natureza basáltica até uma profundidade variável, geralmente entre os 14 e os 30 metros, a partir do qual passam a ser de areia fina ou concha moída. A zona do rolo, área de transição do substrato rochoso para arenoso, é geralmente bastante marcada e com declive acentuado. 

A par da riqueza em biodiversidade existente no arquipélago da Madeira também existe uma grande diversidade ao nível da geodiversidade, que como testemunho do passado, deve ser conhecida e preservada no presente e transmitida e salvaguardada para o futuro. Para obter mais informação aceda a http://geodiversidade.madeira.gov.pt/