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Corre-caminhos

HABITATS

A Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo combina uma variedade de factores, nomeadamente: localização geográfica, isolamento e condições de colonização muito difíceis, que as fazem apresentar habitats que são representativos e importantes para a conservação in situ da biodiversidade.

Dado à grande importância destes habitats estão classificados como "Habitats de interesse comunitário":

  • Falésias com flora endémica das costas macaronésias;


FAUNA

Os Ilhéus são locais preferenciais para a nidificação da avifauna marinha. Três dos Ilhéus – Ilhéu de Cima, Ilhéu da Cal e Ilhéu de Ferro – formam uma IBA (Zona Importante para as Aves), sendo conhecida a nidificação de pelo menos 4 espécies de Proccellariformes: cagarra Calonectris diomedea, Alma-negra Bulweria bulwerii, roque-de-castro Hydrobates castro e pintainho Puffinus lherminieri. Das aves terrestres nidificantes é de salientar a presença de corre-caminhos Anthus berthelotii madeirensis, de andorinhão-da-serra Apus unicolor, de canário-da-terra Serinus canaria e de pardal-da-terra Petronia petronia madeirensis.

Outras espécies nidificantes são o garajau-comum Sterna hirundo, a gaivota-de-patas amarelas Larus michahellis atlantis e possivelmente o garajau-rosado Sterna dougallii.

No que diz respeito à fauna presente nos Ilhéus refira-se que, além da presença das aves, os Ilhéus apresentam uma fauna malacológica rica.

A Ilha do Porto Santo é a Ilha do Arquipélago da Madeira que contém maior número de espécies e subespécies de moluscos terrestres por unidade de área (104 taxa numa área de 43 km2), em que 80% destes são endémicos. Esta ocorrência é extensiva aos seus Ilhéus, existindo alguns endemismos exclusivos, como é o caso de Geomitra turricula (Lowe, 1831), exclusiva do Ilhéu de Cima. Das espécies introduzidas, menciona-se a Theba pisana, por ser uma das que se encontra em toda a área terrestre da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo.


FLORA

Atualmente, a flora dos Ilhéus do Porto Santo é constituída por 104 taxa, sendo 8 briófitos, todos musgos e 96 plantas vasculares, nomeadamente 1 pteridófito, Asplenium marinum, e 95 espermatófitos.

Relativamente aos espermatófitos, 14 são endemismos da Madeira, incluindo uma espécie exclusiva do Porto Santo, cabeleira-de-coquinho Lotus loweanus e 9 são endemismos macaronésicos partilhados por mais de um arquipélago. A percentagem de endemismos é 24,2%, dos quais 14,7% são madeirenses e os restantes 9,5% macaronésicos.

O Ilhéu de Cima, o segundo maior, é o que apresenta maior diversidade de plantas, com 70 taxa, enquanto que o Ilhéu da Fonte de Areia, o mais pequeno, é o que possui uma menor diversidade de plantas, com apenas 7 taxa.

Estudos recentes desenvolvidos por botânicos, no âmbito do Projeto Life Ilhéus do Porto Santo, listaram para os ilhéus de Porto Santo um total de 173 táxones, dos quais 138 ocorrem no Ilhéu de Cima, 97 no Ilhéu da Cal, 94 no Ilhéu de Ferro, 8 no Ilhéu da Fonte da Areia, 29 no Ilhéu das Cenouras, e 15 no Ilhéu de Fora. O trabalho está publicado em:  Carvalho, J.A., Fernandes, F. & Santos-Guerra, A. (2013). The Vascular flora of Porto Santo: A catalogue of its islets. Boletim do Museu Municipal do Funchal, 63(335): 5-20.

 

GEOLOGIA

Os Ilhéus, tal como os "Picos" da Ilha do Porto Santo, coincidem com afloramentos rochosos e são núcleos de resistência à erosão. A morfologia dos fundos submarinos indica que as ilhas assentam sobre plataforma muito arrasada, resto de uma maior extensão ocupada no passado pelos vulcões primitivos, a sua região interna pode ser definida pela batimétrica dos 50 metros, que envolve a totalidade dos elementos insulares, e desce suavemente até à isóbata dos 100 metros, que define grosso modo o seu perímetro externo. Para fora, dá lugar a vertentes abruptas indentadas por vales submarinos que se prolongam para lá dos 1000 metros de profundidade.

Os Ilhéus do Porto Santo, tal como a Ilha, são edifícios vulcânicos resultantes da presença de uma "pluma" mantélica sob a placa litosférica africana. Este vulcanismo, datado desde o Miocénico e atualmente extinto, inclui essencialmente empilhamentos de lavas e piroclastos (com predominância de composições basálticas mas incluindo termos traquíticos) e também escoadas de hialoclastitos, mantos subaéreos e ainda unidades intrusivas.

Intercalados nos vulcanitos, ocorrem calcários fossilíferos de fácies pararecifal e conglomerados, que atestam o carácter intermitente dos períodos de actividade vulcânica. São de idade também miocénica e natureza carbonatada, de fácies litoral e recifal; têm conteúdo fossilífero abundante e muito diversificado o que indica edificação em clima tropical e a profundidade inferior a 40 metros.

À superfície, os vulcanitos são parcialmente cobertos por depósito de areias semiconsolidadas originalmente marinhas mas remobilizadas pelo vento, de natureza organogénica, calcária, com granularidade média a fina e idade quaternária. No seu interior, encontram-se fósseis de gastrópodes pulmonados e de aves marinhas e, na base, ocorrem ainda crostas, escamas e veios calcários, de reprecipitação a partir da alteração dos basaltos subjacentes ou de dissolução dos eolianitos.

No Ilhéu de Cima merece referência particular as formações geológicas do Cabeço das Laranjas que se trata de um calcário brechóide onde os rodólitos constituem a componente mais importante da associação fóssil (com uma densidade de mais de 80 rodólitos por m2) e a "Pedra do Sol" onde se observa aspetos peculiares de disjunção prismática radial associada a condutas lávicas.

No Ilhéu da Cal é de realçar as formações de recife fóssil e os depósitos eólicos areno-calcários que afloram no topo aplanado deste Ilhéu, com espessuras de dezenas de metros, fossilizando um paleorelevo definido em substrato vulcânico.

Para mais informação relativa à geodiversidade consulte http://geodiversidade.madeira.gov.pt/