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Torna-se necessário informar e sensibilizar que a morte dos morcegos não irá evitar a disseminação do COVID-19.

Veja o vídeo

Há inúmeros relatos que vários países estão a sacrificar morcegos para combater a doença.

Partilhamos alguns factos sobre morcegos e o COVID-19 (com base numa tradução livre do documento UNEP/CMS, UNEP/AEWA and UNEP/EUROBATS):

  1. Os morcegos não são responsáveis pela disseminação do COVID-19. O COVID-19 está sendo transmitido apenas entre humanos.
  2. Não há evidências de que os morcegos tenham infetado diretamente seres humanos com COVID-19. Investigações científicas apontam para uma cadeia de eventos que pode ter envolvido morcegos, mas provavelmente apenas através de um animal intermediário.
  3. Existem cerca de 1.400 espécies de morcegos que vivem em estado selvagem em todo o mundo. Muitas destas espécies adaptaram-se aos ambientes urbanos, vivendo em jardins, parques urbanos e até sob pontes, sem representar a menor ameaça aos vizinhos humanos.
  4. Os morcegos prestam importantes serviços ambientais, incluindo polinização, dispersão de sementes e controle de pragas, no valor de biliões de euros anualmente.
  5. Muitas espécies de morcegos estão com problemas e precisam da nossa ajuda para sobreviver. Dezenas de espécies de morcegos são protegidas pela CMS - Convention on the Conservation of Migratory Species of Wild Animals e EUROBATS - Agreement on the Conservation of Populations of European Bats, mas é necessário fazer muito mais para garantir a sobrevivência dos morcegos em todo o mundo. Embora a “matança” de morcegos não tenha nenhum efeito sobre a disseminação do COVID-19, isso afetaria negativamente o estado de conservação das populações de morcegos.
  6. Já, em 2016, no pico da gripe aviária, aconteceu algo semelhante, com pedidos de abate generalizado de aves aquáticas migratórias e a drenagem dos seus habitats húmidos.

Mais informação em: www.eurobats.org


Acordo EUROBATS - Acordo sobre a Conservação das Populações de Morcegos Europeus

O Acordo sobre a Conservação das Populações de Morcegos Europeus (Acordo EUROBATS), ratificado por Portugal em 1995, no âmbito da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migradoras Pertencentes à Fauna Selvagem (Convenção de Bona), baseia-se, de forma geral, no reconhecimento do estatuto de conservação desfavorável dos morcegos e das ameaças que estes animais enfrentam. 

São obrigações fundamentais deste Acordo:

  • A proibição da captura deliberada, aprisionamento e morte;
  • A identificação e conservação dos habitats importantes;
  • A tomada de medidas para promover a conservação destas espécies e o desenvolvimento de programas de investigação.

O Acordo EUROBATS visa proteger todas as 51 espécies europeias de morcegos, através da legislação, educação, medidas de conservação e cooperação internacional, com os membros do Acordo e com aqueles que ainda não aderiram, em toda a Europa, Norte de África e Médio Oriente.
Neste âmbito, são realizadas reuniões oficiais trianuais (Reuniões das Partes) e reuniões anuais de um grupo de peritos, que têm como objetivo discutir e apresentar as resoluções que são aprovadas pelas Reuniões das Partes.

Foi definido um ponto focal regional para o EUROBATS, posição atualmente atribuída ao Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM, o qual tem contado com a colaboração técnico-científica da empresa Madeira Fauna & Flora e da Universidade da Madeira.
Os Relatórios Nacionais sobre a aplicação do Acordo EUROBATS são apresentados, geralmente, de 4 em 4 anos, tendo o IFCN, IP-RAM participado na elaboração dos Relatórios de 2014 e 2018.
Este Instituto tem vindo ainda a dinamizar a Noite Internacional dos Morcegos - “International Bat Night”, desde 2018. Trata-se de uma atividade comemorada a nível internacional em vários países, tendo como principal objetivo sensibilizar a população para a conservação destes animais.

Eventos

Noite Internacional dos Morcegos - 2018

 

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Noite Internacional dos Morcegos - 2019

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Os morcegos na ilha da Madeira

Na ilha da Madeira podemos encontrar várias espécies de morcegos residentes, entre as quais, Nyctalus leisleri verrucosus (Morcego-arborícola-da-Madeira), Pipistrellus kuhli (Morcego-de-Kuhl), Pipistrellus maderensis (Morcego-da-Madeira) e Plecotus austriacus (Morcego-orelhudo-cinzento).

Os morcegos foram, até recentemente, ignorados pelas instituições envolvidas na conservação das espécies animais, devido ao pouco conhecimento até então disponível, mas também devido à sua má reputação pública. Aos poucos, estes animais, muitos deles entre os mais ameaçados, têm começado a ocupar lugares de destaque nas prioridades de intervenção das instituições de conservação.

São várias as ameaças que têm contribuído para o declínio das populações de algumas espécies de morcegos, entre as quais, a perseguição direta, o uso de pesticidas, o desaparecimento de locais de alimentação e a perturbação e destruição dos abrigos.

Com iniciativas como as da “Noite Internacional dos Morcegos” é intenção do IFCN, IP - RAM contribuir para o aumento do conhecimento da população sobre estes animais, aproveitando também para desmistificar alguns preconceitos que ainda existem em relação aos mesmos.

 

Relatórios e Planos de ação

 

Legislação relacionada: 


Avistamento de morcegos

Caso registe avistamentos de morcegos em determinado sítio, por favor contacte a Rede SOS Vida Selvagem

A sua ajuda é fundamental para o aumento do conhecimento destes misteriosos mamíferos.

Links relacionados:

https://www.eurobats.org/

http://www2.icnf.pt/portal/pn/biodiversidade/ei/eurobats