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Tarântula-das-desertas Lobo-marinho Freira-do-bugio

São várias as espécies raras e endémicas que se encontram nas Ilhas Desertas, mas foi a necessidade urgente de preservar uma pequena colónia de foca-monge do Mediterrâneo (Monachus monachus), vulgarmente conhecida como lobo-marinho, que motivou a proteção desta área (Projeto lobo-marinho).

A fauna marinha das Ilhas Desertas é semelhante à do resto do arquipélago, apresentando afinidades europeias e mediterrânicas, sobretudo ao nível dos peixes e crustáceos do litoral, como sejam castanhetas (Chromis limbata) e Abudefduf luridus, taínha (Liza aurata), boga (Boops boops), sargo (Diplodus sp.), garoupa (Serranus atricauda), bodião (Sparisoma cretense), peixe-cão (Bodianus scrofa), peixe-verde (Thalassoma pavo), caranguejo-cabra (Grapsus adscensionis) e cavaco (Scyllarides latus).

Várias espécies de tartarugas como de cetáceos também podem ser observadas nas águas circundantes destas Ilhas.

Este espaço é também um importante centro de nidificação de aves marinhas, tais como a cagarra (Calonectris borealis), roque-de-castro (Hydrobates castro), a alma-negra (Bulweria bulwerii), e freira-do-bugio (Pterodroma deserta) (Projeto freira do bugio). Todas estas aves são espécies inerentemente vulneráveis para as quais as Ilhas Desertas representam um dos últimos refúgios a nível Mundial.
Importa destacar que a Deserta Grande suporta a maior colónia de alma-negra (Bulweria bulwerii) do Atlântico e possivelmente do Mundo, e que a freira-do-bugio (Pterodroma deserta) nidifica exclusivamente no Bugio. Por conseguinte, estas ilhas desempenham um papel crucial para a conservação destas espécies.

Quanto às aves residentes – que podem ser encontradas durante todo o ano – destacam-se o corre-caminhos (Anthus bertheloti madeirensis), subespécie endémica do Arquipélago da Madeira e canário-da-terra (Serinus canaria canaria), subespécie endémica da Macaronésia. São observadas igualmente rapinas, a saber: francelho (Falco tinnunculus canariensis), subespécie endémica da Macaronésia, manta (Buteo buteo harterti) e coruja-das-torres (Tyto alba schmitzi), subespécies endémicas do Arquipélago da Madeira.

Para mais informação sobre as aves nidificantes consulte o atlas das aves nidificantes.

Outro grupo de animais de grande interesse é o dos invertebrados. No grupo dos artrópodes estão listadas 57 espécies de aranhas (Crespo et al., 2013)*, salientando-se a tarântula-das-desertas Hogna ingens, um endemismo destas Ilhas e uma das maiores e mais raras tarântulas do mundo. Este aracnídeo apresenta uma área de distribuição muito restrita (23 ha), habitando apenas o Vale da Castanheira, no extremo norte do topo da Deserta Grande, estando a sua população estimada em 4086 indivíduos adultos (2012) (Crespo et al., 2014)**.

Distribuída em pouco mais de 2000 ha, a malacofauna terrestre das Ilhas Desertas é riquíssima, sendo constituída por mais de 50 espécies e subespécies de moluscos terrestres, 44 dos quais endémicos e com vários táxones exclusivos tais como Actinella anaglyptica (Ilhéu Chão), Atlantica calathoides (Deserta Grande) e Leptaxis simia hyaena (Bugio).

Para mais informação consulte o projeto Life Recover Natura.

A lagartixa (Teira dugesii mauli) é o único réptil terrestre que habita estas ilhas, sendo uma subespécie endémica das Ilhas Desertas.

Citações:
*Crespo LC, Silva I, Borges PAV, Cardoso P 2013. Rapid biodiversity assessment, faunistics and description of a new spider species (Araneae) from Desertas Islands and Madeira (Portugal), Revista Iberica de Aracnologia, 23: 11-23. ISSN 1576-9518.
**Crespo LC, Silva I, Borges PAV, Cardoso P 2014. Assessing the conservation status of the strict endemic Desertas wolf spider, Hogna ingens (Araneae, Lycosidae). Journal for Nature Conservation, 22 (6): 516–524.

 

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