A floresta Laurissilva é considerada uma relíquia do Terciário por possuir espécies dos géneros Laurus, Ocotea, Appolonias, Persea, Clethra, Ilex, Myrica, Picconia, Heberdenia, Prunus e provavelmente Dracaena e Sideroxylon, que fizeram parte de uma unidade fitogeográfica do sul da Europa e do norte de Africa, atualmente extinta devido às glaciações e aos fenómenos de desertificação do Saara.

Na ilha da Madeira, a Laurissilva ocupa cerca de 20% do território, sendo atualmente a maior e mais bem conservada área deste tipo de floresta do planeta. Por tal e como reconhecendo a importância e raridade desta floresta, foi galardoada em 1999 como Património Mundial Natural da Humanidade.

A Laurissilva da Madeira, apesar de ter sido considerada durante muito tempo como a única floresta indígena da ilha da Madeira, foi objeto de vários estudos científicos no âmbito da fitossociologia, tendo sido mostrada a existência de 3 tipos de comunidades: Laurissilva do Barbusano, Laurissilva do Til e Laurissilva do Vinhático (Capelo et al. 2004)


Bibliografia:

Capelo, J., Menezes de Sequeira, M., Jardim, R. & Costa, J. C. (2004). Guia da excursão geobotânica dos V Encontros ALFA 2004 a ilha da Madeira. in Capelo, J. A paisagem vegetal da ilha da Madeira. pp. 5 -45. Quercetea, 6, 3 -200


LAURISSILVA DO BARBUSANO

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A Laurissilva do Barbusano, designado cientificamente por Semele androgynae-Apollonietum barbujanae é uma comunidade arbórea climácica dominada pelas espécies Apollonias barbujana (barbusano), Laurus novocanariensis (loureiro), Myrica faya (faia) e pelo Ilex canariensis (azevinho).

Este tipo de floresta, de características termófilas e distintamente mediterrânicas, é também caracterizado por reunir no sub-bosque várias espécies trepadeiras e lianas, como por exemplo Semele androgyna (alegra-campo), Hedera maderensis subsp. maderensis (hera), Convolvulus massonii (corriola), Smilax pendulina e Smilax canariensis. Na ilha da Madeira, a sua área potencial de distribuição está restrita entre os 300 e 800 m de altitude na vertente sul e entre 50 e 450 m na vertente norte da ilha. Potencialmente, a sua presença é também apontada para a ilha do Porto Santo, bem como nas Desertas.

Atualmente, devido à elevada pressão da atividade humana nas áreas onde esta comunidade em tempos se desenvolveria, esta floresta endémica da Madeira encontra-se limitada a poucas zonas declivosas e inacessíveis na ilha da Madeira.


LAURISSILVA DO TIL

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A Laurissilva do Til ou laurissilva temperada, é uma floresta de características higrófilas, onde a precipitação é elevada e a humidade atmosférica geralmente superior a 85%. No seu estado climácico, esta floresta tem árvores que podem atingir cerca de 30 m de altura. Esta comunidade florestal é cientificamente denominada por Clehro arboretum-Ocoteetum foetentis e dominada pelas árvores Ocotea foetens (til), Laurus novocanariensis (loureiro) e pela Clethra arborea (folhado). São também frequentes a Picconia excelsa (pau-branco), Heberdenia excelsa (aderno), Persea indica (vinhático), Ilex perado (azevinho) e a Prunus lusitanica subsp hixa (ginjeira-brava). A sua área de desenvolvimento potencial está compreendida entre 800 e 1450 m de altitude na vertente sul e entre 300 e 1400 m de altitude na vertente norte.

Nesta floresta existe uma grande diversidade de espécies arbustivas, herbáceas, pteridófitos e briófitos indígenas e endémicos da Madeira. Os briófitos apresentam uma elevada cobertura e diversidade de espécies, com especial destaque para a elevada diversidade de espécies epífitas. Esta comunidade florestal alberga a grande maioria das espécies de briófitos presentes no Arquipélago da Madeira, com aproximadamente de 80% das espécies de briófitos endémicos da Madeira.

A Laurissilva do til inclui também um elevado número de micro-habitats que possuem vários tipos de vegetação vascular notável, de onde se destacam as comunidades de plantas epífiticas, comunidades de ensaiões, comunidades de plantas rosuladas em derrocadas e comunidades de linhas de água de leito pedregoso (Capelo et al. 2004). A originalidade destas comunidades deve-se ao facto de terem na sua composição um elevado número de espécies de flora endémica da Madeira e da Macaronésia.

A orla e primeira etapa de substituição do bosque de Ocotea foetens é um urzal semi-arborescente onde dominam Erica platycodon subsp. maderincola, Erica arborea e o Vaccinium padifolium.
Atualmente a Laurissilva do Til encontra-se maioritariamente restrita à costa norte da ilha onde se encontra bem conservada. A sua ocorrência na vertente sul, devido à influência humana, é rara e limitada a poucos locais de difícil acesso.

Bibliografia:
Capelo, J., Menezes de Sequeira, M., Jardim, R. & Costa, J. C. (2004). Guia da excursão geobotânica dos V Encontros ALFA 2004 a ilha da Madeira. in Capelo, J. A paisagem vegetal da ilha da Madeira. pp. 5 -45. Quercetea, 6, 3 -200


LAURISSILVA DO VINHÁTICO

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A Laurissilva do Vinhático, cientificamente denominada por Diplazio caudati-Perseetum indici é uma comunidade florestal edafohigrófila dominada pela Persea indica (vinhático). Esta floresta, característica das margens dos cursos de água permanentes, tem uma distribuição potencial entre os 700 m e 1500 na vertente sul e 300 e 1300 na vertente norte da ilha da Madeira, sendo frequente observar no estrato arbóreo Laurus novocanariensis (loureiro) e no estrato herbáceo várias espécies de fetos como por exemplo Woodwardia radicans (feto-botão), Diplazium caudatum, Pteris incompleta (feto-de-palma) e Dryopteris aitoniana. Presentemente, os melhores núcleos desta floresta, em consequência do abate de Vinháticos para o fabrico de móveis e na conversão de terrenos para a agricultura, encontram-se restritos a alguns locais.

No que se refere à brioflora, tal como na Laurissilva do Til, esta comunidade florestal reúne uma elevada diversidade e cobertura de espécies nos vários estratos. Destaque-se neste habitat a maior frequência de espécies hidrófilas existentes sobre as rochas nos leitos das ribeiras, bem como nos taludes laterais.

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