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 Ponta de São Lourenço  Laurissilva  Desertas

 

A diversidade dos valores naturais que o arquipélago da Madeira ostenta e a preocupação pela preservação dos mesmos, é comprovada pela diversidade de Áreas Protegidas existentes.

 

MAPA DAS ÁREAS PROTEGIDAS DO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA

MAPA DA ÁREA REDE NATURA 2000 DO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA

MAPA DAS ÁREAS CLASSIFICADAS DO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA

CLASSIFICAÇÃO REGIONAL

CLASSIFICAÇÃO DA REDE NATURA 2000 (EUROPEU)

 

 

 

MAPA DAS ÁREAS PROTEGIDAS DO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA

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Estas englobam desde áreas exclusivamente terrestres, como o Parque Natural da Madeira, onde os valores naturais coabitam diariamente com a atividade humana e áreas exclusivamente marinhas, como a Reserva Natural Parcial do Garajau e a Reserva Natural da Rocha do Navio.

Englobam ainda áreas mistas (terrestres e marinhas), como a Reserva Natural das Ilhas Desertas, a Reserva Natural das Ilhas Selvagens e a Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo, autênticos santuários da vida selvagem terrestre e marinha, com enorme importância para a preservação de espécies únicas no mundo.

Em 2016 foi criada a  Área Protegida do Cabo Girão, na sua parte marinha pelo Parque Marinho do Cabo Girão e na sua parte terrestre pelo Monumento Natural do Cabo Girão e pela Paisagem Protegida do Cabo Girão.

Em 2018 foi criada a Área Protegida da Ponta do Pargo, composta na sua parte marinha pelo Parque Natural Marinho da Ponta do Pargo e na sua parte terrestre pelo Monumento Natural da Ponta do Pargo e pela Paisagem Protegida da Ponta do Pargo.

A juntar a esta diversidade de áreas protegidas, o território da Região Autónoma da Madeira apresenta ainda espaços classificados incluídos na Rede Natura 2000, quer ao abrigo da Diretiva Habitats (11 Zonas Especiais de Conservação – ZEC e 7 Sítios de Importância Comunitária - SIC) quer ao abrigo da Diretiva Aves (5 Zonas de Proteção Especial - ZPE).

Em 2016 Região Autónoma da Madeira aprovou a inclusão do  Sítio Cetáceos da Madeira através da resolução n.º 699/2016, 17 de outubro .

INÍCIO

 

MAPA DA ÁREA REDE NATURA 2000 DO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA 

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As políticas de conservação e de desenvolvimento sustentável dos espaços naturais da Região Autónoma da Madeira destacam o uso sustentado dos recursos naturais garantindo a proteção da sua enorme diversidade biológica, a qualidade ambiental e o desenvolvimento social, tanto para as presentes como para as futuras gerações.

INICÍO

 

MAPA DAS ÁREAS CLASSIFICADAS DO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA

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INÍCIO



CLASSIFICAÇÃO REGIONAL

ÁREA

TIPO CLASSIFICAÇÃO

Parque Natural da Madeira

Inclui áreas com diferentes tipos de proteção

Reserva Natural Parcial do Garajau

Reserva marinha

Reserva Natural da Rocha do Navio

Reserva marinha

Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo

Área Protegida (inclui a Área Classificada de ZEC)

Reserva Natural das Ilhas Desertas

Reserva Natural (sobrepõe a área classificada de ZEC) e incluída na área classificada de ZPE

Reserva Natural das Ilhas Selvagens

Reserva Natural (sobrepõe a área classificada de ZEC) e incluída na área classificada de ZPE

Área protegida do Cabo Girão

Parque Marinho; Monumento Natural e Paisagem Protegida

Área Protegida da Ponta do Pargo

Parque Natural Marinho; Monumento Natural e Paisagem Protegida

 

INÍCIO



CLASSIFICAÇÃO DA REDE NATURA 2000 (EUROPEU)

ÁREA

TIPO CLASSIFICAÇÃO

Maciço Montanhoso Central

Área Classificada de ZEC e ZPE apenas a zona oriental, totalmente incluída no PNM

Laurissilva

Área Classificada de ZEC e ZPE, maioritariamente incluída no PNM

Ponta de S. Lourenço

Área Classificada de ZEC, parcialmente incluída no PNM e ZPE

Ilhéu da Viúva

Área Classificada de ZEC, sobrepõe à Reserva Natural da Rocha do Navio

Achadas da Cruz

Área Classificada de ZEC

Moledos

Área Classificada de ZEC

Pináculo

Área Classificada de ZEC

Pico Branco (Porto Santo)

Área Classificada de ZEC

Ilhéus do Porto Santo

Área Classificada de ZEC, incluída na Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo

Ilhas Desertas

Área Classificada de ZEC (sobrepõe à Reserva Natural das Ilhas Desertas) e ZPE

Ilhas Selvagens

Área Classificada de ZEC (sobrepõe à Reserva Natural das Ilhas Selvagens) e ZPE

Paul do Mar - Jardim do Mar Área Classificada de SIC
Ribeira Brava Área Classificada de SIC
Cabo Girão Área Classificada de SIC
Caniço de Baixo Área Classificada de SIC
Porto Novo Área Classificada de SIC
Machico Área Classificada de SIC
Pico do Facho Área Classificada de SIC
Cetáceos Madeira Área Classificada de SIC

 

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Ponta de São Lourenço Maciço Montanhoso Laurissilva
Ponta de São Lourenço Maciço Montanhoso Laurissilva

O Parque Natural da Madeira (PNM) é uma área protegida peculiar, quer pela riqueza do património natural e da beleza das paisagens que encerra, quer pelo património cultural e pelo facto de estar na íntegra aberto ao público.
 

SOBRE

O Parque Natural da Madeira contempla zonas com diferentes estatutos de proteção, desde o mais elevado que corresponde às reservas totais e parciais, até ao mais baixo, a zona de transição. Esta zona estende-se por toda a periferia e representa cerca de 60% da área de PNM, tendo a função de tampão, isto é, de absorver os impactes das intervenções humanas, sendo essencialmente rural.
 
Inclui, igualmente, zonas de paisagem protegida, as quais apresentam panoramas naturais, seminaturais e humanizados de grande valor estético, resultado de uma intervenção harmoniosa do Homem no ambiente.
 
Visitar o PNM é descobrir a natureza! Para além de descobrir um espaço de conservação e observação da natureza, é espaço de recreio e lazer, de preservação das memórias do passado, das tradições rurais, do património edificado para além de espaço agrícola e florestal, desde a floresta autóctone, Laurissilva, até à de exóticas.
 
Estas caraterísticas particulares e ao mesmo tempo diferenciadas tornam este parque natural tão interessante, não só no contexto regional, como também, no nacional e no mundial.
 
Iniciando um passeio à beira-mar, subindo pela encosta, por entre os campos agrícolas com os caraterísticos palheiros e poios, passando pela densa floresta e continuando até às altas montanhas, podem ser observados vários ecossistemas naturais e humanizados, alguns dos quais se destacam pelos elevados valores biológicos que albergam, como a Laurissilva da Madeira, o Maciço Montanhoso e a Ponta de São Lourenço. 
 

CONTACTOS

Instituto das Florestas e Conservação da Natureza


COMO VISITAR?

A melhor forma para visitar o PNM é a pé, percorrendo a rede de percursos recomendados. Ao efetuar estes percursos poderá desfrutar das paisagens de alta montanha no Maciço Montanhoso, da exuberância da Laurissilva, da singularidade da Ponta de São Lourenço e de paisagens agrícolas que apresentam a ruralidade da Ilha da Madeira.


LOCALIZAÇÃO

 
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O PNM consiste numa área protegida que abrange cerca de 2/3 do território da Ilha da Madeira, ou seja, o equivalente a 67% da sua superfície. Inclui todos os concelhos, desde o extremo este ao oeste, apresentando maior expressão no centro e na costa norte da ilha.
 
De uma forma geral, podemos referir que praticamente toda a Ilha da Madeira é PNM, com a exceção dos centros urbanos que se localizam maioritariamente na vertente sul, onde reside cerca de 70% da população, e de algumas localidades a norte. O município da Calheta é o que apresenta a mais elevada parcela desta área. Segue-se o do Porto Moniz, com a mais elevada percentagem, cerca de 84% da sua área, enquanto Funchal e Santa Cruz apresentam a menor área de parque natural.
 
Esta área protegida é caraterizada por possuir elevados valores naturais que constituem uma relíquia a nível mundial e que incluem algumas espécies em risco de extinção.
Inclui também espaços com valor cultural considerável dos quais destacamos as zonas de paisagem protegida e algumas áreas rurais, onde as atividades agrícolas desenvolvidas em socalcos têm deixado impresso na paisagem o esforço de séculos de ocupação humana e onde a par dum rico e diversificado património construído podemos encontrar saberes rurais transmitidos oralmente de geração em geração.

A par da riqueza em biodiversidade existente no arquipélago da Madeira também existe uma grande diversidade ao nível da geodiversidade, que como testemunho do passado, deve ser conhecida e preservada no presente e transmitida e salvaguardada para o futuro.Para obter mais informação aceda a http://geodiversidade.madeira.gov.pt/
 


VALORES NATURAIS 

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Caldeirão Verde Ponta de São Lourenço Maciço Montanhoso

A área de PNM apresenta altos e diversificados valores naturais, reconhecidos internacionalmente que ocorrem principalmente no Maciço Montanhoso Central, na Laurissilva e na Ponta de São Lourenço.
 

HABITATS

Habitats de Interesse Comunitário presentes no Maciço Montanhoso Central:
  • Charcos temporários mediterrânicos;
  • Charnecas macaronésicas endémicas;
  • Prados mesofilos macaronésicos;
  • Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica;
  • Rochas siliciosas com vegetação pioneira da Sedo-Scleranthion ou da Sedo albi-Veronicion dillenii;
  • Florestas endémicas de Juniperus spp.
 
Habitats de Interesse Comunitário presentes na Laurissilva da Madeira:
  • Vertentes rochosas siliciosas com vegetação casmofítica;
  • Laurissilvas macaronésicas;
 
Habitats de Interesse Comunitário presentes na Ponta de São Lourenço:
  • Falésias com flora endémica das costas macaronésias;
  • Formações baixas de euforbiáceas junto a falésias.
 
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Garajau-comum Freira-da-madeira Pintassilgo
 

FAUNA

A fauna existente no PNM é extremamente rica, quer em vertebrados quer em invertebrados, nomeadamente espécies endémicas de moluscos terrestres e, de forma muito significativa, os insetos.
 
Na Laurissilva a avifauna apresenta um reduzido número de espécies e uma elevada taxa de endemismos. Nas zonas mais interiores da floresta e em melhor estado de conservação são observadas, regularmente, cerca de nove espécies de aves. O destaque obrigatório é o emblemático pombo-trocaz Columba trocaz e o bis-bis Regulus madeirensis, que são as únicas espécies endémicas neste ecossistema. O primeiro é considerado um dos exemplares mais antigos da avifauna Macaronésica. Tem uma dieta seletiva e parcialmente dependente dos frutos de diversas espécies de árvores, com particular relevo para o til, sendo considerado o semeador das árvores da Laurissilva.
O bis-bis é uma ave de pequeno porte, a mais pequena da avifauna madeirense, alimenta-se de insetos, o que seguramente lhe confere uma importância elevada ao nível do equilíbrio dos ecossistemas. O tentilhão Fringilla coelebs madeirensis, subespécie endémica da Ilha da Madeira apresenta um elevado nível de adaptação ao habitat insular. Este facto, aliado às diferenças morfológicas evidenciadas em relação às populações que ocorrem no Continente Europeu, pressupõe que a data da sua chegada à Ilha remonta a tempos bastante longínquos. Outras aves que ocorrem com alguma frequência são o melro-preto Turdus merula cabrerae, o papinho Erithacus rubecula rubecula, a lavandeira Motacilla cinerea schmitzi, e as duas rapinas, a manta Buteo buteo harterti e o francelho Falco tinnunculus canariensis. Nas zonas mais altas da Laurissilva, onde as árvores de grande porte começam a dar lugar aos urzais, ocorre ainda a galinhola Scolopax rusticola, muito discreta e normalmente passa despercebida aos visitantes.
 
Relativamente à fauna do Maciço Montanhoso, é obrigatório salientar a freira-da-madeira Pterodroma madeira que é uma das aves marinhas mais ameaçadas do mundo que ocorre exclusivamente na Ilha da Madeira, com o estatuto de conservação "Em Perigo". Vive exclusivamente no mar, apenas vindo a terra durante a época de reprodução entre fins de março e meados de outubro, altura em que podem ser ouvidas ao cair da noite quando voltam para os seus ninhos.
 
Quanto aos invertebrados terrestres, é a comunidade de artrópodes terrestres que apresenta a maior riqueza faunística, distribuída por uma grande variedade de grupos. É de salientar ainda o grupo dos Aracnídeos que ostenta uma presença bastante significativa ao nível das aranhas, dos ácaros e dos pseudoescorpiões, entre outros.
 
Na Ponta de São Lourenço o grupo com maior interesse é o dos invertebrados. Atualmente, são conhecidas 35 espécies de moluscos terrestres, das quais 24 são endémicas. No Ilhéu do Desembarcadouro foram identificadas 14 espécies sendo 12 endémicas, e no Ilhéu do Farol 13 espécies, sendo 11 endémicas.
Ao nível da avifauna, nidificam neste local aves marinhas, tais como: a cagarra Calonectris borealis, a alma-negra Bulweria bulwerii, o roque-de-castro Hydrobates castro, e o garajau-comum Sterna hirundo. No Ilhéu do Desembarcadouro nidifica uma das maiores colónias de gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis atlantis da Região. Quanto às aves terrestres, encontram-se frequentemente o corre-caminhos Anthus berthelotii madeirensis, o pintassilgo Carduelis carduelis parva, o pardal-da-terra Petronia petronia madeirensis e o canário-da-terra Serinus canaria canaria.
 

 

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Orquídea-da-serra Isoplexis

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FLORA

Da flora, presente no PNM, destacamos a da Laurissilva que é uma formação de caraterísticas higrófilas, endémica macaronésica, bem desenvolvida com áreas de conservação clímax, único Património Mundial Natural da UNESCO em Portugal, e onde estão presentes todos os estratos caraterísticos deste tipo de comunidade. Estudos no âmbito da fitossociologia, reconhecem nesta formação florestal várias comunidades vegetais climácicas que se encontram relacionadas com os andares bioclimáticos.De uma grande diversidade florística, é sobretudo ao nível do estrato herbáceo que pode ser encontrada a maior parte dos endemismos. Como exemplo, pode apontar-se a Goodyera macrophylla, orquídea endémica da Ilha da Madeira, conhecida por godiera-da-madeira.
 
Esta floresta de caraterísticas subtropical húmida representa um ecossistema de extrema importância sob o ponto de vista botânico e científico: trata-se de um património raro a nível mundial, onde, para além da Madeira, apenas ocorre com significado em algumas ilhas do grupo ocidental do Arquipélago das Canárias e Açores.
Noutras ilhas desta Região Autónoma, nomeadamente na Ilha do Porto Santo e na Deserta Grande, subsistem seres vivos característicos desta floresta, que são verdadeiros testemunhos da existência no passado de uma maior área de distribuição deste ecossistema.
 
A Laurissilva é caraterizada por árvores de grande porte, maioritariamente pertencentes à família das Lauráceas (o til Ocotea foetens, o loureiro Laurus novocanariensis, o vinhático Persea indica e o barbusano Apollonias barbujana), para além de outras, como o pau-branco Picconia excelsa, o folhado Clethra arborea, o aderno Heberdenia excelsa, o perado Ilex perado ou o cedro-da-madeira Juniperus cedrus. Por debaixo da copa das grandes árvores, abundam arbustos como a urze Erica arborea e Erica platycodon, a uveira Vaccinium padifolium, o piorno Genista tenera, o sanguinho Rhamnus glandulosa, o mocano Pittosporum coriaceum e Musschia wollastonii encontrando-se ainda um estrato mais baixo, rico em fetos, musgos, líquenes, hepáticas e outras plantas de pequeno porte, com numerosos endemismos.
 
Outro espaço também importante a nível de flora é o Maciço Montanhoso. O coberto vegetal desta área, carateriza-se pela presença de várias plantas endémicas da Madeira, de que são exemplo a violeta-da-madeira Viola paradoxa. Podemos ainda encontrar aqui a urze-rasteira Erica maderensis, a orquídea-da-serra Dactylorhiza foliosa e a antilídea-da-madeira Anthyllis lemanniana. Todas estas plantas encontram-se perfeitamente adaptadas ao rigoroso clima desta área, onde pontificam as grandes amplitudes térmicas e os ventos intensos. Desempenham um papel muito importante na captação de água através da pluviosidade oculta, para além de contribuírem para a fixação do solo, combatendo a erosão.
 
Com igual importância é a flora que ocorre na Ponta de São Lourenço, que atualmente, conta com 157 plantas vasculares distintas, das quais 141 na península e 71 no Ilhéu do Desembarcadouro. Observam-se plantas como as barrilhas Mesembryanthemum crystallinum, Mesembryanthemum nodiflorum e Suaeda vera, a Maçacota Bassia tomentosa, o funcho-marinho Crithmum maritimum e alguns endemismos, como: o massaroco Echium nervosum, a estreleira Argyranthemum pinnatifidum succulentum e o Goivo-da-rocha Matthiola maderensis. Com alguma raridade temos a rasteira Frankenia laevis, a Silene uniflora, Silene behen, Astragalus solandri e a vaqueira Calendula maderensis. No Ilhéu do Desembarcadouro existem extensas manchas de Trevina e vários endemismos macaronésicos e madeirenses, tais como: Alpista Phalaris maderensis, Beta patula (espécie exclusiva deste ilhéu), a almeirante Crepis divaricata, diabelha Plantago coronopus, couve-da-rocha Crambe fruticosa e o Rumex bucephalophorus canariensis.

 

 


VALORES CULTURAIS

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Palheiros

O PNM engloba um considerável património cultural, bastante rico e diversificado, permitindo descobrir os saberes transmitidos oralmente de geração em geração e onde se podem observar aspetos da humanização da paisagem que remontam ao início do povoamento da ilha, destacando-se o património rural com um conjunto riquíssimo de saberes fazer, tradições e património edificado.
 
O património rural construído traduz-se num vasto conjunto de construções e tipologias que urge preservar e valorizar para as gerações futuras, e que vai para além das casas tradicionais, passando pelos solares com capelas, tanques de pedra, palheiros, fontanários, moinhos de água, levadas, as tradicionais adegas e lagares, e até mesmo os caminhos reais e igrejas.
 
Ao nível do Património Rural foi desenvolvido o projeto: "O Património Rural no Parque Natural da Madeira - a norte e a oeste da Ilha da Madeira", e de modo, divulgar e promover a valorização e promoção dos saberes e tradições das comunidades rurais foi desenvolvido o “Levantamento das plantas e seus usos tradicionais”.
 

INÍCIO

 

HISTORIAL

 

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"…A criação dum Parque Nacional na ilha da Madeira representará tanto no sentido nacional, como internacional, uma obra de valor inestimável, e a 1ª Conferência Nacional da Proteção da Natureza, hoje aqui iniciada, tem exatamente como principal objetivo estudar as condições em que tal poderá ser conseguido."

 

Eng.º Baeta Neves

 

Presidente da Direção da Liga para a Proteção da Natureza

 

Funchal, 10 de Abril de 1950

 

Se, em 1950, já se levantaram vozes sugerindo a criação dum parque para a preservação da natureza na Ilha da Madeira, foi na década de 70 que foram efetuados os levantamentos e estudos para a classificação duma área de parque natural, nesta ilha.
 
Em 10 de Novembro de 1982, veio a ser criado o PNM pelo Decreto Regional n.º 14/82/M, tendo por principais objetivos proteger a natureza, a biodiversidade, o equilíbrio ecológico e a paisagem, bem como, promover a qualidade de vida, salvaguardando um vasto património natural que constitui uma relíquia a nível mundial e inclui espécies em risco de extinção, bem como, a preservação de algumas áreas humanizadas de elevada qualidade estética e paisagística e de valiosos de saberes.
 
Em 1992, a Laurissilva foi classificada de Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa sendo, em 1999, incluída na lista do Património Natural Mundial da UNESCO, o único Património Natural Mundial de Portugal.
 
Em 2001, foi integrada como Sítio de Importância Comunitária da Rede Ecológica Europeia Natura 2000 e, no âmbito da Diretiva Aves, é Zona de Proteção Especial. Em 2009, e após a aprovação do seu Plano de Ordenamento e Gestão, passou a Zona Especial de Conservação.
 
O Maciço Montanhoso Central, totalmente integrado no PNM como Reserva Geológica e de Vegetação de Altitude, foi classificado, em 2001, como Sítio de Importância Comunitária da Rede Ecológica Europeia Natura 2000, passando em 2009, e após a aprovação do seu Plano de Ordenamento e Gestão, a Zona Especial de Conservação. Ao abrigo da Diretiva Aves, a sua parte oriental é Zona de Proteção Especial.
 
Desde a criação do PNM, a parte terrestre da Ponta de São Lourenço está inserida na sua área.
Em 1996, dada a importância deste território e de modo a preservar o seu valioso património natural, o Governo Regional da Madeira adquiriu os terrenos que compõem a Ponta de São Lourenço, a partir do denominado Paredão da Baía d’Abra, incluindo a Casa do Sardinha. Desde então, esta casa funcionou como estação de observação e vigilância do PNM, onde uma equipa de vigilantes da natureza exerce as suas funções.
Desde Junho de 2010, este espaço encontra-se aberto ao público, tendo sido remodelado num Centro de Receção a visitantes.
  
Desde 2001, esta área terrestre em conjunto com a área marinha adjacente, na costa norte (desde o extremo este do Ilhéu do Farol até à Ponta do Espigão Amarelo), até à batimétrica dos 50 metros, integra a Rede Natura 2000, inicialmente como Sítio de Importância Comunitária. Com a aprovação do Plano de Ordenamento e Gestão, a sua classificação passou a Zona Especial de Conservação.
 
Em 2014 foi criada uma Zona de Proteção Especial cujos limites coincidem com os limites da ZEC incluindo também a área marinha a Sul até à batimétrica dos 50 metros (Decreto Regulamentar Regional nº3/2014/M, de 3 de março de 2014). Em 2015, os limites da ZEC foram alterados passando a incluir uma área de 1320ha (Resolução nº1226/2015, de 29 de dezembro de 2015). 
 
Está ainda classificada, pela Birdlife Internacional, como IBA (Important Bird Area), por ser um local de nidificação de algumas aves marinhas protegidas.
 
Desde 2011, toda a área de Parque Natural da Madeira no concelho de Santana é Reserva da Biosfera.
 


GESTÃO E PROTEÇÃO

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Levadas Casa  do Sardinha – Ponta de São Lourenço


ESTATUTOS DE PROTEÇÃO

Parque Natural da Madeira
Área protegida que inclui zonas com diferentes estatutos de proteção, desde um grau de proteção mais elevado até á zona de transição, faixa por toda a periferia com uma proteção mais leve, onde se pretende que existam as atividades humanas de modo controlado, tendo assim uma função de tampão e sendo possível haver uma menor pressão humana e uma proteção com um grau mais elevado nas áreas mais interiores e adjacentes a esta faixa.
Inclui também zonas de paisagem protegida, as quais apresentam panoramas naturais, seminaturais e humanizados de grande valor estético.
 
Maciço Montanhoso Central 
Área Classificada de Zona de Proteção Especial, ao abrigo da Diretiva Aves e como Zona Especial de Conservação, integrando a Rede Natura 2000.
O uso deste território é regulamentado pelo Plano de Ordenamento e Gestão do Maciço Montanhoso Central.
 
Laurissilva 
Área Classificada de Zona de Proteção Especial, ao abrigo da Diretiva Aves e como Zona Especial de Conservação, integrando a Rede Natura 2000.
O uso deste território é regulamentado pelo Plano de Ordenamento e Gestão da Laurissilva da Madeira.
 
Ponta de São Lourenço 
Área Classificada como Zona Especial de Conservação, integrando a Rede Natura 2000.

O uso deste território é regulamentado pelo Plano de Ordenamento e Gestão da Ponta de São Lourenço, que estabelece Áreas de Proteção Total (os Ilhéus do Desembarcadouro e do Farol), Áreas de Proteção Parcial (península da Ponta de São Lourenço) e Áreas de Proteção Complementar (as praias, miradouros e Capela da Nossa Senhora da Piedade).
 

ATIVIDADES PERMITIDAS/INTERDITAS

Nas áreas de proteção total não é permitida qualquer atividade humana, à exceção de trabalhos científicos, ações de conservação, atividades de sensibilização e educação ambiental.

Nas áreas de proteção parcial aplica-se um controlo das atividades a desenvolver, privilegiando-se a realização de trabalhos científicos, ações de conservação, atividades de sensibilização e educação ambiental e outras atividades, lúdicas e de lazer, devidamente autorizadas pelo Instituto das Florestas e  Conservação da Natureza, que não prejudiquem os valores locais e os equilíbrios dos ecossistemas.

Nas áreas de proteção complementar pretende-se uma utilização sem comprometer o equilíbrio ambiental, ao mesmo tempo que se desviam as atividades humanas das áreas protegidas mais sensíveis.
De uma forma geral, em toda a área de PNM, é proibido o abandono ou despejo de aterros, lixos, materiais poluentes, detritos ou sucata.

Carece de autorização prévia do Instituto das Florestas e  Conservação da Natureza a realização de quaisquer obras de edificação, abertura de estradas, caminhos e outras vias de acesso, bem como a extração de produtos inertes de qualquer natureza, a efetuar na área de PNM.

Nos espaços agrícolas, é ainda apoiado e incentivado o modo de produção biológica.

A caça só é permitida para as espécies cinegéticas constantes na legislação vigente relativa à atividade venatória e no edital publicados anualmente onde, além das espécies a caçar, são definidos os períodos venatórios, os locais e os processos de caça.

Para informação mais detalhada consulte abaixo os Regulamentos dos Plano de Ordenamento e Gestão do Maciço Montanhoso Central da Ilha da Madeira, da Laurissilva da Madeira e da Ponta de São Lourenço.
  
 
 

LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

Resolução do Conselho de Governo n.º 1291/2009, de 2 de outubro – Procede à classificação de Sítio de Importância Comunitária (SIC) para Zona Especial de Conservação (ZEC).
Decreto Regulamentar Regional nº13/2003/M, de 02 de maio - Altera o Decreto Regulamentar Regional nº13/93/M, de 25 de maio.
Decreto Regulamentar Regional nº19/99/M, de 30 de novembro - Altera o Decreto Regulamentar Regional nº13/93/M, de 25 de maio.
Decreto Regulamentar Regional nº13/93/M, de 25 de maio - Aprova a orgânica do Serviço do Parque Natural da Madeira.
Decreto Legislativo Regional nº11/85/M, de 23 de maio - Define as medidas preventivas, disciplinares e de preservação relativas ao Parque Natural da Madeira.
 

 

 

PROGRAMAS DE CONSERVAÇÃO, ESTUDOS E PROJETOS EM CURSO

INÍCIO

 

LOGOTIPO

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O símbolo do PNM representa a biodiversidade do Parque Natural da Madeira e tem o seguinte significado:

Azul e Amarelo: Cores da Região
Nuvem: Nevoeiros da Laurissilva
Montanhas verdes ao fundo: Laurissilva
3 folhas: Til, Loureiro e Vinhático (por esta ordem)
Ave: Manta, espécie emblemática, taxa endémico da Região e presente ao longo de todo o Parque Natural da Madeira

 

 

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Rocha do Navio Centro de receção Sala de exposições

A Reserva Natural do Sítio da Rocha do Navio tem uma área total de 1710 hectares e um comprimento total de 6259 metros.

 

SOBRE

CONTACTOS

COMO VISITAR?

LOCALIZAÇÃO

VALORES NATURAIS

VALORES CULTURAIS

HISTORIAL

GESTÃO E PROTEÇÃO

PROGRAMAS DE CONSERVAÇÃO, ESTUDOS E PROJETOS EM CURSO

 

 

SOBRE

É exclusivamente marinha e delimitada entre a Ponta do Clérigo a este e a Ponta de São Jorge a oeste e entre a linha definida pela preia-mar máxima e a batimétrica dos 100 metros, incluindo o Ilhéu da Rocha das Vinhas e o Ilhéu da Viúva.

A linha de costa da reserva é caraterizada por ser de arriba alta, rochosa e de difícil acesso. Contempla duas praias de calhau rolado - uma entre a Ponta de São Jorge e a Ponta de Santana; a outra, entre a Ponta de Santana e a Ponta do Clérigo. Próximo destas praias encontram-se, respetivamente, o Ilhéu da Rocha das Vinhas ou Ilhéu de São Jorge, e o Ilhéu da Viúva ou Ilhéu da Rocha do Navio.

O Ilhéu da Viúva possui uma altitude máxima de 94 metros e uma área planificada de aproximadamente 1,4 ha, é furado e destaca-se pela sua grandiosidade e beleza. Aqui é possível observar algumas plantas próprias das falésias litorais macaronésicas, algumas das quais são raras no espaço insular. Encontra-se integrado na Rede Ecológica Europeia de Zonas Especiais de Conservação - Rede Natura 2000.

Trata-se de um sítio que se reveste de valor natural, científico e cultural onde se destaca o património botânico. O Ilhéu da Viúva alberga um património florístico natural caraterístico do litoral madeirense, onde se evidenciam várias espécies de plantas exclusivas do arquipélago da Madeira.

O nome Rocha do Navio provém do naufrágio de uma escuna de nacionalidade holandesa, que ocorreu no século XIX em consequência de ventos fortes.

A reserva é visitada por um número significativo de pessoas residentes e estudantes dos vários estabelecimentos de ensino. A sua divulgação processa-se através de visitas e de ações de sensibilização e de informação. Trata-se de uma área protegida onde é possível compatibilizar os interesses recreativos e de conservação da natureza com os da atividade piscatória.

INÍCIO

 

CONTACTOS

Coordenação da Reserva

INÍCIO

 

COMO VISITAR?

O acesso à Reserva Natural da Rocha do Navio faz-se através do Miradouro da Rocha do Navio por uma vereda escarpada na rocha ou por teleférico e o acesso ao mar é altamente limitado pelo estado do mar, frequentemente alteroso na costa norte da ilha.

No âmbito da Educação Ambiental existe um programa de visitas à Reserva, no qual poderá participar qualquer grupo de caráter pedagógico. Para tal, contacte o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza. Consulte igualmente o programa de atividades de Educação Ambiental.

 

INÍCIO


LOCALIZAÇÃO

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Teleférico


A reserva localiza-se no litoral norte da Ilha da Madeira, no Concelho de Santana. É delimitada entre a Ponta do Clérigo a este e a Ponta de São Jorge a oeste e entre a linha definida pela preia-mar máxima e a batimétrica dos 100 metros, incluindo o Ilhéu da Rocha das Vinhas e o Ilhéu da Viúva, perfazendo um total de 1710 ha.

A par da riqueza em biodiversidade existente no arquipélago da Madeira também existe uma grande diversidade ao nível da geodiversidade, que como testemunho do passado, deve ser conhecida e preservada no presente e transmitida e salvaguardada para o futuro. Para obter mais informação aceda a http://geodiversidade.madeira.gov.pt/

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VALORES NATURAIS

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Cardume


HABITATS

A reserva natural da Rocha do Navio combina uma variedade de fatores que a faz apresentar habitats que são representativos e importantes para a conservação in situ da biodiversidade.

Dado à grande importância destes habitats, alguns estão classificados de "Habitats de interesse comunitário".

Habitats de interesse comunitário presentes na Reserva Natural da Rocha do Navio:

  • Falésias com flora endémica das costas macaronésias;
  • Formações baixas de euforbiáceas junto a falésias;
  • Grutas marinhas submersas ou semi-submersas.

FAUNA

Do ponto de vista ornitológico, constitui um local privilegiado para a nidificação de algumas espécies de aves marinhas pelágicas, da ordem dos Procelariformes, das quais a cagarra Calonectris borealis é um bom exemplo. Estas aves migratórias dependem de áreas com pouca perturbação e inacessíveis aos predadores, para nidificarem. Desta forma, locais como o Ilhéu da Rocha das Vinhas assumem, nos nossos dias, particular importância.

Outras aves marinhas que procuram estes habitats são a alma-negra Bulweria bulwerii e o roque-de-castro Hydrobates castro. Aqui podemos encontrar como nidificantes, duas aves marinhas costeiras: o garajau-comum Sterna hirundo e a gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis.

Na área terrestre adjacente à reserva podem ser observadas todas as rapinas diurnas que nidificam no arquipélago: a manta Buteo buteo harterti, o francelho Falco tinnunculus canariensis e o fura-bardos Accipiter nisus granti. As mais comuns nas cotas mais baixas são a manta e o francelho, duas aves que na Madeira apresentam o estatuto de Pouco Preocupante. A única rapina noturna do arquipélago, a coruja-das-torres Tyto alba schmitzi, nidifica também nas áreas adjacentes à reserva, podendo ser vista, ou pelo menos ouvida, frequentemente.

Associadas aos campos agrícolas, que na Fajã da Rocha do Navio vão quase até à zona das marés, podemos encontrar o melro-preto Turdus merula cabrerae e a toutinegra Sylvia atricapilla.

A cotas sensivelmente mais altas, em direta relação com a existência de vegetação arbustiva e arbórea de pequeno porte ocorrem ainda o tentilhão Fringilla coelebs maderensis e o bis-bis Regulus madeirensis.

No ambiente marinho, devido ao grande hidrodinamismo das suas águas, existe uma enorme aglomeração de peixe de distintas espécies, algumas com interesse comercial e de subsistência para a população local. Nesta riqueza ictiológica destacam-se, como espécies residentes, alguns peixes de grande porte, como sejam o mero Epinephelus marginatus, o badejo Mycteroperca fusca e o peixe-cão Bodianusscrofa, assim como uma grande variedade de outras espécies costeiras como o sargo Diplodus sargus, o sargo-veado Diplodus cervinus, o bodião Sparisoma cretense, o peixe-verde Thalassoma pavo e as castanhetas Abudefduf luridus e Chromis limbata. Típicas destes fundos rochosos são as moreias Muraena helena, M. augusti, Enchelycore anatina e Gymnothorax unicolor.

Nas rochas existem manchas coloridas de cor laranja, vermelho e castanho que não são mais do que colónias de ascídias que se assemelham muito com as esponjas-marinhas.Os ouriços-do-mar não são muito frequentes e estão inseridos em pequenas concavidades. Na zona de marés encontram-se ainda, caramujos Gibbula spp. e Monodonta spp. e lapas Patella spp..

Esporadicamente podem ser avistados o golfinho Tursiops truncatus, o lobo-marinho Monachus monachus e a tartaruga-careta Caretta caretta, espécies da fauna constantes do Anexo II da Diretiva Habitats. São espécies que por estarem apenas de passagem, e porque passam a maior parte do tempo submersas emergindo periodicamente para respirar, são de difícil observação. No caso do lobo-marinho, que geralmente utilizam praias no interior de grutas para repouso e reprodução, têm aqui uma gruta próximo ao Ilhéu da Viúva com condições para ser utilizada, o que aconteceu no passado.

 

FLORA

Trata-se de um sítio que se reveste de valor natural, científico e cultural onde se destaca o património botânico. O Ilhéu da Viúva alberga um património florístico natural caraterístico do litoral madeirense, onde se evidenciam várias espécies de plantas exclusivas do arquipélago da Madeira, nomeadamente: o massaroco Echium nervosum, a figueira-do-inferno Euphorbia piscatoria, o goivo-da-rocha Matthiola maderensis e o ensaião Aeonium glandulosum, para além do zimbreiro Juniperus sp. - árvore indígena muito rara. Esta vegetação é predominantemente herbácea e arbustiva, de caraterísticas xerofíticas, com grande multiplicidade de endemismos madeirenses e macaronésicos.

O interessante núcleo de zimbreiros aqui existente corresponde a uma espécie pouco frequente na Madeira e que foi muito utilizada no fabrico de mobiliário. Trata-se de uma árvore caraterística do litoral das ilhas da Madeira e do Porto Santo, apresentando no Ilhéu da Viúva um dos maiores portes de que há conhecimento.

Nas escarpas adjacentes à reserva, contempla-se igualmente vegetação caraterística das falésias costeiras macaronésicas, à qual se aliam redutos de Laurissilva, com destaque para alguns exemplares de faia-das-ilhas Myrica faya, barbusano Apollonias barbujana, alegra-campo Semele androgyna, seixeiro Salix canariensis e cabreira Phyllis nobla. A flora marinha é abundante, embora não seja muito diversificada. Na zona intertidal e infralitoral superior formam-se tapetes da alga-verde Codium adhaerens e da alga-castanha Halopteris filicina. Com o aumento de profundidade e a diminuição de luz a abundância da alga-verde é substituída pela alga-castanha Lobophora variegata e alga-vermelha Asparagopsis armata.

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VALORES CULTURAIS

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Lagar


Na fajã da Rocha do Navio, onde a agricultura é praticada em pequenas parcelas, pode-se observar um lagar e um tanque para água escavados na própria rocha. São testemunhos da obra humana, dos agricultores daquela zona, numa tentativa de ultrapassar as dificuldades físicas impostas pelo acesso àquela área.

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HISTORIAL

Esta reserva, criada em 1997, surgiu da vontade da população local, uma vez que estava consciente da degradação progressiva dos recursos pesqueiros do litoral do Concelho de Santana, consequência das ações de pesca indiscriminadas, devastadoras dos recursos haliêuticos.

A pesca era essencialmente efetuada com recurso às prejudiciais redes de emalhar e ao uso criminoso de explosivos. Para além de se pretender travar a desertificação dos fundos marinhos e contribuir para o repovoamento dos mesmos, objetivaram-se outras ações de conservação aliadas às atividades lúdico turísticas.

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GESTÃO E PROTEÇÃO

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Peixe-cão


ATIVIDADES PERMITIDAS/INTERDITAS

O enquadramento legal para a proteção da Reserva Natural da Rocha do Navio estabelece uma Área Protegida Marítima que vai desde a Ponta do Clérigo a este e a Ponta de São Jorge a oeste e entre a linha definida pela preia-mar máxima e a batimétrica dos 100 metros, incluindo os Ilhéus Rocha das Vinhas e da Viúva.

Em toda a área de reserva é permitida:

  • a pesca comercial e a pesca sem fins comerciais, designadamente a desportiva e à linha;
    a apanha de lapa e caramujo no calhau;
  • o mergulho amador;
  • as atividades náuticas com caráter desportivo não motorizadas.

Está interdito em toda esta área:

  • o uso de redes de emalhar ou outras, exceto as empregues na captura de isco vivo e o peneiro, empregue na captura da castanheta;
  • a colheita, captura, detenção e ou abate de quaisquer espécies de aves ou plantas;
  • o despejo de quaisquer detritos sólidos ou líquidos;
  • a extração de quaisquer inertes, quer de origem marinha, quer terrestre;
  • a apanha de lapa e caramujo de mergulho;
  • a caça submarina.


Para informação mais detalhada consulte abaixo o Regulamento do Programa de Medidas de Gestão e Conservação do Ilhéu da Viúva.

 

LEGISLAÇÃO APLICÁVEL

Portaria 78/2017, de 16 de março, que suspende parcialmente a produção de efeitos da Portaria 30/2017, de 8 de fevereiro, que estabelece as taxas devidas pelo serviços prestados pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, IP-RAM.
Portaria n.º 30/2017, de 8 de fevereiro  - Estabelece as taxas dos produtos e serviços prestados pelo IFCN

Resolução n.º 751/2009 - Procede à passagem de Sítio de Importância Comunitária (SIC) para Zona Especial de
Conservação (ZEC)

Regulamento do Programa de Medidas de Gestão e Conservação do Ilhéu da Viúva

Decreto Regulamentar Regional nº11/97/M, de 30 de julho - Cria a Reserva Natural do Sítio da Rocha do Navio.

Consulte ainda o Programa de Medidas de Gestão e Conservação do Ilhéu da Viúva!

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PROGRAMAS DE CONSERVAÇÃO, ESTUDOS E PROJETOS EM CURSO

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Ilhéu de Baixo Ilhéu de Fora e Ilhéu das Cenouras  Tartaruga-comum

A particularidade ecológica da área costeira da Ilha do Porto Santo, complementada pela presença de ilhéus rochosos, com particular relevância do ponto de vista da biodiversidade, assim como, o uso desta área de uma forma sustentada levou à criação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo.

 

Nesta secção pode consultar os Planos de Ordenamento e Gestão das diferentes áreas protegidas da Região Autónoma da Madeira:

 
 

 NOME

ÁREA PROTEGIDA

                                                  

 Plano de Ordenamento e Gestão das Ilhas Desertaslogopdf

 Reserva Natural das Ilhas Desertas

pogidesertas

 

Plano de Ordenamento e Gestão das Ilhas Selvagenslogopdf

 

Reserva Natural das Ilhas Selvagens

pogiselvagens

 

Plano Especial de Ordenamento e Gestão da Reserva Natural Parcial do Garajaulogopdf 

 

Reserva Natural Parcial do Garajau 

peogrngarajau

 

Programa de Medidas de Gestão e Conservação do Sítio da Rede Natura 2000 do Ilhéu da Viúvalogopdf


Reserva Natural do Sítio da Rocha do Navio

pmgciviuva

Plano de Ordenamento e Gestão da Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santologopdf

 Rede de Áreas Marinhas Protegidas do Porto Santo

peogramportosanto

 

Plano de Ordenamento e Gestão da Ponta de São Lourençologopdf

 

Ponta de São Lourenço

peogpslourenco

Plano de Ordenamento e Gestão do Maciço Montanhoso Centrallogopdf 

 Maciço Montanhoso Central

POGMMC 

 Plano de Ordenamento e Gestão da Floresta Laurissilvalogopdf

 Floresta Laurissilva

 POGL

Programa de Medidas de Gestão e Conservação do Sítio da Rede Natura 2000 do Pináculologopdf

Pináculo 

pmgcpinaculo

 Programa de Medidas de Gestão e Conservação do Sítio da Rede Natura 2000 dos Moledos - Madalena do Marlogopdf

 Moledos - Madalena do Mar

MGCMoledos 

 Programa de Medidas de Gestão e Conservação do Sítio da Rede Natura 2000 das Achadas da Cruzlogopdf

 Achadas da Cruz

MGCAchadasdaCruz 

 Programa de Medidas de Gestão e Conservação do Sítio da Rede Natura 2000 do Pico Branco - Porto Santologopdf

Pico Branco 

MGCPicoBranco

Resolução n.º 751/2009
Procede à passagem de Sítio de Importância Comunitária (SIC) para Zona Especial de
Conservação (ZEC)

Pico Branco - Porto Santo, do Ilhéu da Viúva, nas Achadas da Cruz, dos Moledos, no Pináculo.

decretorochanavio

Resolução n.º 1291/2009
Procede à classificação de Sitio de Importância Comunitária (SIC) para Zona Especial

de Conservação (ZEC) de alguns Sítios de Interesse Comunitário.

Ilhas Desertas, Ilhas Selvagens, Ponta de São Lourenço Res12911295200901

Resolução n.º 874/2009, de 28 de julho

Procede à classificação de Sitio de Importância Comunitária (SIC) para Zona Especial de Conservação (ZEC) dos Sítios de Interesse Comunitário: Laurissilva da Madeira e Maciço Montanhoso Central.

Laurissilva da Madeira e Maciço Montanhoso Central Res 874200928julho01

Resolução n.º 1341/2009, de 3 de novembro

Procede à classificação de Sitio de Importância Comunitária (SIC) para Zona Especial de Conservação (ZEC) do SIC “Ilhéus do Porto Santo (PTPOR 0001)

Ilhéus do Porto Santo Res1341200901

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O Maciço Montanhoso compreende toda a cordilheira montanhosa central da ilha da Madeira, que a divide em duas vertentes, Sul e Norte, bem distintas e com declives acentuados. Ocupando uma área de cerca de 8200 hectares, este Maciço engloba as áreas localizadas acima dos 1400 metros de altitude, onde são consideradas duas zonas distintas, a parte Oriental e a Ocidental. É na parte Oriental do Maciço que se situam os picos de maior altitude, sendo os mais relevantes, o Pico Ruivo (1862 metros) e o Pico do Areeiro (1818 metros), entre outros de menor altitude. Na parte Ocidental destacam-se os pontos mais elevados na zona do Paúl da Serra, nomeadamente, o Pico Ruivo do Paúl (1640 metros) e a zona da Bica da Cana (1620 metros).


O cunho fortemente acidentado desta área é, sobretudo consequência da ação da água que provoca uma erosão diferencial sobre as rochas piroclásticas. Por este facto, são bem visíveis vales profundos, precipícios e despenhadeiros, consequência da erosão provocada por águas torrenciais. O relevo é assim muito acidentado, onde predominam os declives escarpados. O planalto do Paúl da Serra é considerado o mais importante local de recarga dos aquíferos da Madeira e é servido por diversas infraestruturas, das quais se destacam parques eólicos, postos florestais, zonas de lazer e de recreio, casas de abrigo e parques de merenda, sendo atravessado por uma importante rede viária de estradas principais, secundárias e caminhos florestais.

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Desde o princípio da colonização da ilha da Madeira, que o aproveitamento da silvo pastorícia, nalguns casos, de forma excessiva e desregrada, levou a uma enorme degradação do coberto vegetal em determinadas zonas do Maciço. Suínos, caprinos e ovinos, utilizavam todas as áreas, muitas vezes de forma anárquica, não permitindo a regeneração conveniente da vegetação. Ao longo dos tempos muitas foram as tentativas para racionalizar esta atividade, sendo que, a partir dos anos 80 do século passado, e de forma mais intensa, é que se logrou que a pastorícia deixasse de causar tanta devastação no coberto vegetal. Em 2003, conduzido pelo Governo Regional e com a colaboração voluntária de todos os intervenientes, conclui-se finalmente o processo de retirada do gado, tendo a vegetação do Maciço Montanhoso entrado finalmente num processo de recuperação, já hoje visível. O investimento feito, não só na atribuição de indemnizações pela retirada de gado, mas também, no esforço de arborização e florestação de centenas de hectares neste espaço, vem dando os seus frutos, cobrindo, de forma lenta, mas segura, o Maciço de um tapete verde que aumenta continuamente, não obstante a devastação causada pelos incêndios florestais do verão de 2010.


Está classificado como Zona de Proteção Especial, ao abrigo da Diretiva Aves, e como Zona Especial de Conservação, integrando a Rede Natura 2000. O Maciço Montanhoso faz parte igualmente do Parque Natural da Madeira com a designação de Reserva Geológica e de Vegetação de Altitude, acrescido do facto da maioria da área ter sido submetida, nos fins da década de 50 e princípios de 60 do século passado, ao Regime Florestal e integrar, total ou parcialmente, vários Perímetros Florestais.

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O Maciço Montanhoso da ilha da Madeira é detentor de paisagens de rara beleza, que contrastando com as zonas de baixa altitude, apresenta no Inverno, longos mantos de cor branca, consequência da queda de neve. Ao nível da biodiversidade, a flora vascular de altitude, que ocorre acima da cota dos 1300 metros, exibe cerca de 54 espécies endémicas, incluídas em 22 famílias, algumas restritas aos picos mais elevados do Maciço, como a Estreleira, a Urze-rasteira, o Hissopo, a Arméria-da-Madeira e a Violeta-da-Madeira, entre outras. Os briófitos, por sua vez, apresentam uma grande cobertura e desempenham funções importantes na colonização, na estabilidade do solo e na dinâmica dos ecossistemas.


Relativamente à fauna, é obrigatório salientar a Freira-da-Madeira, uma das aves marinhas mais ameaçadas do Mundo que ocorre exclusivamente na ilha da Madeira, com o estatuto de conservação “Em Perigo”. Vive exclusivamente no mar, apenas vindo a terra durante a época de reprodução, entre fins de Março e meados de Outubro, altura em que podem ser ouvidas ao cair da noite quando voltam para os seus ninhos.


Alguns dos outros vertebrados que aqui ocorrem são comuns à Laurissilva, designadamente o Bis-bis, o Tentilhão e a Lagartixa, só para referir alguns exemplos.
Quanto aos invertebrados terrestres, é a comunidade de artrópodes terrestres que apresenta a maior riqueza faunística, distribuída por uma grande variedade de grupos. É de salientar ainda o grupo dos Aracnídeos que ostenta uma presença bastante significativa ao nível das aranhas, dos ácaros e dos pseudoescorpiões, entre outros.


Relativamente aos vertebrados introduzidos, no Maciço Montanhoso ocorrem várias espécies de mamíferos como o rato, o murganho e o gato, animais predadores cujo controlo é determinante para a perenidade das espécies autóctones existentes na área, como é o caso específico da Freira-da-Madeira.

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A Ponta de São Lourenço é o extremo mais oriental da Ilha da Madeira, ocupando nove quilómetros de comprimento, em forma de península, no final dos quais se encontram o ilhéu do Desembarcadouro (ilhéu da Metade ou da Cevada) e o ilhéu do Farol (ilhéu da Ponta de São Lourenço ou de Fora).

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Nesta área, assume particular relevo paisagístico, a Baía d’Abra, que pela sua configuração e grande extensão proporciona condições de ancoradouro excelentes. A Oeste, após a marina da Quinta do Lorde, encontra-se a pitoresca Prainha – pequena praia de areia escura. Sobranceira a esta encontra-se o Morro da Piedade, um cone vulcânico, onde foi erigida uma capela alusiva a Nossa Senhora da Piedade, no século XVI. A Norte da Prainha, assumem relevo as Dunas da Piedade. Este edifício dunar guarda fósseis do Quaternário, com 300 mil anos, constituindo registos únicos na Europa. Encontram-se aqui raízes fossilizadas, que indiciam a existência ancestral de uma vegetação bastante mais abundante e de maior porte, do que aquela que agora caracteriza a área.

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O ilhéu do Desembarcadouro e todo o extremo da península até ao muro de pedra da Baía d’ Abra foram adquiridos pela Região, através de uma iniciativa do Serviço do Parque Natural da Madeira, em 1994. A Casa do Sardinha, onde atualmente se encontra um dos centros de receção do IFCN, foi construída por particulares em meados do século XX, com o intuito de servir como lugar de refúgio e de férias.


Esta área, bem como toda a área marinha adjacente da costa Norte até à batimétrica dos 50 metros, estão integradas na Rede Natura 2000 como Zona Especial de Conservação. Em 2014 foi criada uma Zona Especial de Conservação cujos limites coincidem com os limites da ZEC incluindo também a área marinha a Sul até à batimétrica dos 50 metros (Decreto Regulamentar Regional nº3/2014/M, de 3 de março de 2014). Em 2015, os limites da ZPE foram alterados passando a incluir a área de ZEC, passando a incluir uma área de 1320ha (Resolução nº1226/2015, de 29 de dezembro de 2015).  
Pela singularidade e riqueza dos seus valores naturais, a Ponta de São Lourenço surge como um lugar de referência para quem procura a prática de turismo de natureza na Região, sendo cerca de 150 o número de pedestrianistas diários que a visitam. O Centro de Receção, que se localiza no final do trilho adstrito a esta área, oferece aos seus visitantes, por meio de uma exposição, um conhecimento acerca dos valores patrimoniais de maior relevância do sítio, abordando temáticas como a sua geologia, flora e fauna. Este espaço dispõe ainda de um vasto leque de material alusivo a esta área protegida, e que aqui pode ser adquirido.

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Na Ponta de São Lourenço, a diversidade biológica existente, é fortemente condicionada pela aridez e pela predominância de ventos, conferindo à vegetação características únicas dentro da Região da Macaronésia. Constituída essencialmente por plantas que estão adaptadas aos climas secos ou com longos períodos de seca, nesta área estão identificadas cerca de 160 espécies diferentes, das quais 141 na Ponta de São Lourenço (península) e 71 no ilhéu do Desembarcadouro.
A importância da flora vascular é reforçada pela percentagem de plantas endémicas da Macaronésia (8%) e do arquipélago da Madeira (14%), sendo algumas delas exclusivas desta área. A vegetação natural é composta essencialmente por muitas herbáceas anuais e bienais, associadas a alguns arbustos e raríssimas árvores de pequeno porte. As plantas que mais se destacam pela sua unicidade são a Estreleira, a Perpétua e a Vaqueira.

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Na base e nas fissuras das rochas observam-se pequenos fetos, musgos e hepáticas. No ilhéu do Desembarcadouro, o terreno é aberto e coberto por vegetação rasteira e arbustiva. Constitui o último repositório de vegetação indígena característica do litoral, em bom estado de conservação, existente na ilha da Madeira, onde a forma mais rica são as extensas manchas de Trevina. Além disso, neste ilhéu o interesse florístico é imposto pela ocorrência de vários endemismos macaronésicos e madeirenses, como são exemplos, a Alpista e Almeirante, entre outros.

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Esta área protegida está incluída na Rede Natura 2000 por ser uma Zona de Conservação Especial. No âmbito da BirdLife International está classificada como “Important Bird Area”, por ser um local de nidificação de algumas aves marinhas protegidas, tais como, a Cagarra, a Alma-negra, o Roque-de-castro e o Garajau-comum. O ilhéu do Farol é um local por excelência de nidificação de aves marinhas por não possuir quaisquer predadores terrestres, enquanto o ilhéu do Desembarcadouro é mais condicionado dado a existência de ratos. No entanto, é neste último que nidifica uma das maiores colónias de Gaivota-de-patas-amarelas da Região. As aves terrestres mais frequentes são o Corre-caminhos e o Pintassilgo, e as rapinas Manta, Francelho e Coruja-das-torres. Muitas outras aves migradoras visitam esta área, sendo o Maçarico, uma das mais representativas. Um grupo de animais com grande interesse, pela sua diversidade e singularidade, é o dos invertebrados. Este é representado essencialmente por moluscos e artrópodes. No entanto, apesar da existência de um levantamento dos moluscos da área e da identificação de alguns invertebrados, os conhecimentos sobre este grupo são ainda limitados. São conhecidas 35 espécies de moluscos terrestres, das quais 24 são endémicas do arquipélago. No ilhéu do Desembarcadouro foram identificadas 14 espécies, sendo 12 endémicas e, no ilhéu do Farol, 13 espécies sendo 11 endémicas. Um vertebrado terrestre nativo muito frequente nesta zona é a Lagartixa.

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A fauna marinha está fundamentalmente bem representada e é abundante e diversificada. Na zona médio litoral, encontram-se povoamentos de Lapas e de Caramujos, sendo o Caranguejo-vermelho também abundante. Nos fundos rochosos, são frequentes os Pepinos-do-mar e Ouriços-do-mar. A juntar-se a estes animais, encontram-se várias espécies de Esponjas, Anémonas e Estrelas-do-mar. Relativamente ao grupo dos peixes merecem destaque o Sargo, as Castanhetas e o Bodião. Marcam também presença nestas águas, peixes de grandes dimensões como é o caso do Badejo e do Mero.
Nestas águas ocorrem também Tartarugas e várias espécies de mamíferos marinhos como os Golfinhos e o emblemático Lobo-marinho.

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A Floresta Laurissilva é o nome por que é conhecida a floresta indígena da Madeira, constituída predominantemente por árvores e arbustos de folhagem persistente, com folhas verde-escuras e planas. Já existia aquando da chegada dos navegadores portugueses e é considerada uma relíquia do Terciário. Ocupa uma área, de cerca de 15000 hectares, o equivalente a 20% do território da ilha e localiza-se, essencialmente, na costa Norte, dos 300 aos 1300 metros de altitude, e na costa Sul persiste nalguns locais de difícil acesso, dos 700 aos 1200 metros.


A Laurissilva da Madeira está totalmente incluída na área do Parque Natural da Madeira e encontra-se protegida por legislação regional, nacional e internacional. É um habitat prioritário, designado de Laurissilvas Macaronésias, ao abrigo da Diretiva Habitats da União Europeia e as espécies mais características encontram-se também diretamente protegidas por diretivas comunitárias. É igualmente uma Zona de Proteção Especial e, por tal, foi consagrada como um Sítio da Rede Natura 2000 com o nome Laurissilva da Madeira.
Desde 1992, pertence à Rede de Reservas Biogenéticas do Conselho da Europa, por apresentar inegáveis valores naturais e carácter de unicidade, o que corresponde a um reconhecimento de enorme importância pela comunidade internacional.

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Integrada na lista dos Patrimónios Mundiais Naturais pela Unesco, a riqueza, a importância e a especificidade desta floresta, contendo espécies vegetais e animais únicos à escala planetária e habitats naturais representativos e importantes para a conservação da diversidade biológica, atestam a justiça deste reconhecimento.
Na área de Floresta Laurissilva existe uma rede de percursos pedonais e veredas, alguns deles integrando a lista de percursos pedonais recomendados da Região. São aos milhares, as pessoas que anualmente percorrem estes “caminhos”, inebriados pela sensação do prazer da descoberta de uma floresta tão bela como antiga.


É uma formação florestal que apresenta uma grande diversidade biológica, com uma elevada percentagem de espécies exclusivas da Macaronésia e da Madeira. Neste complexo e diversificado ecossistema, a vastidão da vegetação é o elemento que mais sobressai. As árvores, muitas delas centenárias, são incontestavelmente os grandiosos monumentos naturais. As plantas de menores dimensões e os fetos ganham destaque nesta imensa floresta. Os líquenes proliferam por toda a parte, nos taludes, nos troncos e nas rochas, indicando a excelente qualidade ambiental do ar e da água. Na fauna assume particular relevo os insectos, os moluscos terrestres e as aves que contam, igualmente, com vários tipos de endemismos madeirenses e macaronésicos.

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Predominam as árvores endémicas que pertencem às Lauráceas, tais como, o Barbusano, o Loureiro, o Til e o Vinhático. A estas árvores estão associadas muitas outras, também endémicas e interessantes, mas de distintas famílias, nomeadamente, o Folhado, o Pau-branco e o Mocano. Nas margens dos ribeiros e dos regatos são mais comuns os Seixeiros e os Sabugueiros. Dos arbustos endémicos destacam-se, o Massaroco, a Figueira-do-inferno, o Isoplexis e a Múchia. Nas clareiras e nos taludes dos cursos de água evidenciam-se outros endemismos, com destaque para as elegantes gramíneas, nomeadamente, a Barba-de-bode e a Palha-carga e as herbáceas de flores vistosas, tais como, as Pássaras, as Orquídeas-da-serra e as Douradinhas. Mais discretas e simultaneamente mais raras são as Orquídeas-brancas. Os fetos existem em todos os recantos, com maior exuberância nos vales profundos e sombrios. Mais comum e bem evidente pelo tamanho e extensão das suas frondes é o Feto-do-botão ou do pontinho. Os briófitos, quase sempre redutoramente abordados como musgos, cobrem grandes superfícies do solo, dos taludes, das rochas e dos troncos, apresentando uma enorme diversidade apenas reconhecida quando devidamente observados. Nesta floresta encontram-se mais de 80% dos endemismos da Região, alguns raríssimos.


Estas plantas desempenham importantes funções no ecossistema, nomeadamente no equilíbrio hídrico através da elevada eficiência na retenção da água dos nevoeiros e da chuva, no ciclo dos minerais e na produção de biomassa. Os líquenes são, igualmente, abundantes e algumas espécies indicam a elevada qualidade ambiental e a inexistência de poluição. Para além de bioindicadores são excelentes testemunhos do bom estado de conservação do meio ambiente, embelezando a floresta com as suas formas esculturais e por vezes enigmáticas.


A avifauna da Laurissilva, tal como as comunidades de aves de ilhas, apresenta um reduzido número de espécies e uma elevada taxa de endemismos. Nas zonas mais interiores da floresta e em melhor estado de conservação são observadas, regularmente, cerca de sete espécies de aves. O destaque obrigatório é o emblemático Pombo-trocaz que a par do Bis-bis, são as únicas espécies endémicas neste ecossistema. O primeiro é considerado um dos exemplares mais antigos da avifauna Macaronésica. Tem uma dieta selectiva e parcialmente dependente dos frutos de diversas espécies de árvores, com particular relevo para o Til, sendo considerado o semeador das árvores da Laurissilva. O Bis-bis é uma ave de pequeno porte, a mais pequena da avifauna madeirense, alimenta-se de insectos, o que seguramente lhe confere uma importância elevada ao nível do equilíbrio dos ecossistemas. O Tentilhão, subespécie endémica da ilha da Madeira apresenta um elevado nível de adaptação ao habitat insular. Este facto, aliado às diferenças morfológicas evidenciadas em relação às populações que ocorrem no Continente Europeu, pressupõe que a data da sua chegada à ilha remonta a tempos bastante longínquos.


Outras aves que ocorrem com alguma frequência são o Melro-preto, o Papinho, a Lavandeira e as duas rapinas, a Manta e o Francelho. Nas zonas mais altas da Laurissilva, onde as árvores de grande porte começam a dar lugar aos urzais, ocorre ainda a Galinhola, muito discreta e normalmente passa despercebida aos visitantes.
Nos limites inferiores da Laurissilva, na interface com as zonas agrícolas ou com a floresta exótica, surgem várias outras espécies de aves, sendo comum encontrar, além de muitas das que atrás foram referidas, a Toutinegra, o Canário e o Pintassilgo. O discreto Fura-bardos é a terceira rapina diurna do arquipélago e é nestas zonas que mais facilmente pode ser encontrado. Depois do Pôr-do-sol surge a Coruja-das-torres, outra subespécie endémica do arquipélago.


Alguns dos vertebrados endémicos presentes na Laurissilva são vulgares, outros raros e enigmáticos. Nos locais mais soalheiros e durante o dia, a comum Lagartixa surge de forma activa e ágil, à procura do calor do sol. É o único réptil nativo da ilha da Madeira que, embora predomine nas zonas costeiras, também habita a floresta.
À noite, os Morcegos com os seus gestos peculiares e sons estranhos desenvolvem a sua actividade, estando descritas cinco espécies, das quais apenas três confirmadas, uma endémica o Pipistrelo-da-Madeira, uma subespécie endémica o Morcego-arborícola-da-Madeira e o Morcego-orelhudo-cinzento.


Os invertebrados são muito mais discretos mas igualmente mais numerosos e com taxas de endemismo mais elevadas. Na Laurissilva existem mais de 500 espécies endémicas de invertebrados, distribuídas pelos moluscos, aracnídeos e insectos. Estes últimos, tanto pela sua abundância como diversidade, são o grupo mais representativo (cerca de 20% das quase 3000 espécies de insectos são endémicas).

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Um olhar atento debaixo das pedras, das cascas das árvores e dos musgos, por entre as rochas, na terra sob as folhagens permite observar a labuta da fauna malacológica, conhecida vulgarmente por caracóis. Na floresta Laurissilva existem aproximadamente 46 espécies de caracóis, dos quais 29 são endemismos madeirenses. Nos locais mais húmidos, sobre as pedras dos ribeiros e dos regatos é comum a presença da peculiar lesma endémica.